Um laudo da Polícia Científica de Goiás identificou problemas estruturais em gameleiras da Praça Mestre Maria Henriqueta Peclat, conhecida como Praça da Cirrose, no Setor Oeste, em Goiânia. Entre as situações constatadas estão danos provocados por incêndio, infestação de insetos que perfuram a madeira e comprometimento das raízes. O documento também reconhece a existência de autorização técnica e legal da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) para intervenções nas árvores.

A perícia foi realizada pelo Instituto de Criminalística Leonardo Rodrigues, a pedido da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema). A análise envolveu uma inspeção no local e a avaliação de documentos técnicos da Prefeitura de Goiânia. A vistoria foi concluída em 17 de setembro.

De acordo com o laudo, a Amma autorizou, em 21 de agosto de 2026, a retirada de duas gameleiras e a poda de rebaixamento da copa de outras duas. A autorização foi emitida antes do registro da ocorrência policial.

Ao analisar a legalidade das intervenções, os peritos reconheceram que o órgão ambiental havia autorizado “legalmente e tecnicamente a intervenção”, considerando os riscos estruturais apresentados pelas árvores.

Árvores apresentavam danos e risco de queda

Entre os problemas identificados nos documentos analisados pela perícia, uma das gameleiras apresentava o interior completamente oco em consequência de um incêndio anterior. Outra tinha infestação ativa de insetos conhecidos como brocas, responsáveis por perfurar a madeira, além de áreas de necrose e risco crítico de queda sobre um imóvel próximo.

O laudo também menciona registros de prejuízos materiais sofridos por clientes de um estabelecimento comercial após a queda de galhos. Os problemas não eram recentes. Um parecer elaborado pela Amma em 2024 já apontava comprometimento de árvores da praça, incluindo tronco atingido por incêndio e inclinação.

Raízes também apresentavam comprometimento

Além dos danos nos troncos, a Polícia Científica identificou problemas relacionados ao crescimento das raízes das quatro gameleiras e à infraestrutura urbana.

Segundo a perícia, o sistema radicular das árvores estava confinado por calçadas, muretas e estruturas de concreto. Em determinados pontos, as raízes avançavam sobre o meio-fio e o asfalto, evidenciando conflitos entre o desenvolvimento das árvores e a ocupação do espaço urbano.

Apesar dos problemas, dois exemplares ainda apresentavam folhagem vigorosa e não foram considerados em estágio final de vida por envelhecimento natural. A condição, entretanto, não elimina os problemas estruturais apontados nos documentos técnicos.

A perícia também esclareceu que intervenções emergenciais motivadas por riscos à segurança podem ser realizadas em qualquer período do ano.

Com base nas condições avaliadas, a Amma autorizou medidas diferentes para cada exemplar: a retirada das duas árvores consideradas mais comprometidas e a redução das copas das outras duas. O laudo reconhece a fundamentação técnica e legal dessas autorizações, embora a existência de autorização não signifique, por si só, que todas as intervenções executadas tenham sido avaliadas individualmente quanto à sua adequação.

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