Justiça mantém prisão de grupo acusado de sequestro e internações ilegais em clínica clandestina de Goiânia
16 agosto 2025 às 09h18

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A Justiça de Goiás decidiu manter a prisão preventiva de seis pessoas acusadas de integrar um esquema criminoso de sequestros e internações compulsórias em uma clínica irregular de Goiânia. O grupo, formado pelo dono do espaço terapêutico, familiares de uma das vítimas e funcionários envolvidos, passou por audiência de custódia nesta sexta-feira, 15, no Fórum de Goiânia. Eles respondem por associação criminosa, cárcere privado, sequestro e lesão corporal.
Entre os detidos estão Leonardo Carneiro de Abreu Vieira, dono da clínica; o irmão dele, Christiano Carneiro de Abreu Vieira; a enfermeira Rosane de Fátima Oliveira; e Andiara Silva da Costa, que auxiliava no transporte das vítimas até o local. Também foram presas Eliane de Paula Souza, mãe da jovem sequestrada, e Isabela de Paula Silva, irmã da vítima. Ambas respondem por sequestro e furto, após planejarem o crime que chamou a atenção da polícia e deu início às investigações.
O caso veio à tona em 7 de maio de 2025, quando uma jovem de 25 anos foi sequestrada na garagem do prédio onde mora, no Setor Oeste, em Goiânia. Câmeras de segurança registraram o momento em que ela foi cercada por cinco pessoas, entre elas a própria irmã, e retirada à força de seu carro. Em seguida, foi colocada em outro veículo estacionado na rua e levada para a clínica.
Minutos antes do crime, a vítima havia ligado para o marido relatando que a mãe e a irmã rondavam o edifício, com quem mantinha conflitos familiares antigos. Ao retornar para casa naquela noite e não encontrar a esposa, o homem procurou imediatamente a polícia, denunciando o desaparecimento.
De acordo com as investigações, o sequestro foi planejado para impedir a jovem de comparecer a uma audiência de conciliação marcada para o dia seguinte, 8 de maio, relacionada à disputa judicial de um imóvel avaliado em R$ 400 mil. A vítima foi internada de forma compulsória no chamado Espaço Terapêutico Jandaia, que se apresentava como centro de recuperação de dependentes químicos, embora não possuísse autorização para funcionar.
Clínica ilegal e internações sem laudos médicos
As apurações da Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem), revelaram que a clínica não tinha alvará de funcionamento, tampouco psiquiatra responsável, como determina o Conselho Federal de Medicina. Além disso, não havia laudos psiquiátricos ou exames toxicológicos que justificassem as internações.
Segundo os investigadores, o local atuava como fachada para uma série de internações forçadas, em que familiares contratavam a equipe para sequestrar pessoas e levá-las ao espaço, mesmo sem qualquer diagnóstico de dependência química. Testemunhas relataram que os procedimentos eram violentos, configurando sequestro e cárcere privado.
Durante as diligências, a polícia identificou que Christiano Carneiro recebia R$ 500 por cada sequestro realizado. A atuação do grupo, conforme as autoridades, já havia vitimado outras pessoas além da jovem de 25 anos que motivou a denúncia inicial.
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