Justiça da Inglaterra condena terrorista neonazista de 13 anos

Professar a volta do inominável tem mesmo de ser considerado crime, independentemente da idade dos neonazistas

Juscelino Goulart de Oliveira

Especial para o Jornal Opção

A Justiça da Inglaterra condenou um jovem de 13 anos, que não teve o nome divulgado, por liderar uma célula neonazista. O “terrorista mais jovem da Inglaterra” atuava a partir da casa de sua avó, no condado de Cornualha, na Inglaterra. As provas documentais, ele se declarou “culpado”.

Paul Dunleavy, terrorista de 17 anos |Foto: Hope Not Hat.org

Segundo a BBC internacional, o neonazista disse que cometeu 12 crimes, como divulgação de materiais terroristas (dois) e posse de material terrorista (dez).

O garoto, segundo a sentença do juiz Mark Dennis, terá de passar por um processo de reabilitação — durante dois anos. Na sua decisão, o magistrado escreveu que o jovem “adentrou um mundo online de preconceito perverso” e acrescentou que “qualquer reincidência levaria a uma ‘espiral de penas cada vez maiores de encarceramento’”.

Embora só tenha 13 anos, o jovem estaria se preparando para fabricar bombas e lia manuais de “como fazer coquetéis molotov” e como montar armas, como AK47.

Ele liderava a célula neonazista Feuerkrieg Division (FKD), desde 2019. Sua função era o recrutamento de neonazistas e era responsável pela propaganda da “milícia”. Por certo, se considerava uma Goebells mirim, ou, quem sabe, um Himmler.

Caderno de Paul Dunleavy | Foto: West Midlands Police

O adolescente Paul Dunleavy, recrutado pelo adolescente de 13 anos, havia sido condenado, em 2019, por crimes de terrorismo.

O site Cornwall Live relata que, em 2019, a polícia descobriu, na casa do recrutador, um pôster que “trazia uma imagem de uma explosão de bomba atômica sobre o parlamento inglês com o slogan ‘esterilize a fossa que você chama de Londres’”. A polícia também obteve informações de que o terrorista estava fabricando uma arma. E estava mesmo.

Atuar pela volta do inominável tem de ser visto como crime

O nazismo é uma coisa muito séria e a Justiça precisa de fato ser dura com seus defensores e seguidores. A Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, possivelmente não teria acontecido se o nazismo não tivesse se tornado uma força hegemônica na Alemanha.

Houve quem, inclusive entre a esquerda, tratasse Adolf Hitler como “piada” e “folclore”, e deu no que deu: mais de 50 milhões de pessoas mortas nas batalhas, entre civis e militares. Nos campos de concentração e extermínio, como Auschwitz e Treblinka, foram assassinados 6 milhões de judeus. E morreram milhares de ciganos, testemunhas e homossexuais.

Então, professar a volta do inominável, trabalhando para isto, tem mesmo de ser considerado crime — portanto, passível de penalização judicial —, independentemente da idade dos neonazistas. Amadores se tornam profissionais do terrorismo em pouco tempo.

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