Justiça condena Villa Mix por restringir entrada de pessoas negras

Casa noturna de São Paulo negou a acusação e garantiu que única restrição de ingresso “diz respeito ao vestuário, como uso de bermudas e sandálias”

A casa noturna Villa Mix, da cidade de São Paulo, foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar a uma indenização de R$ 60 mil por danos morais a uma ex-funcionária, que denunciou a casa por restringir o ingresso de pessoas negras, pois elas não se enquadrariam no perfil de frequentadores “pré-estabelecidos”. As informações são do site de notícas G1.

“Nós recebíamos ordens da diretoria e dos donos em relação a esse perfil que tinha que seguir como pessoas malvestidas, negras e que aparentavam ter baixo poder aquisitivo”, afirmou a ex-funcionária, de 26 anos, que trabalhou durante dois anos como hostess no estabelecimento.

Conforme relatou a ex-funcionária, se uma pessoa estava registrada na lista de entrada e se apresentava na porta do estabelecimento, ao ser constatada que era negra, cabia a ela declarar que seu nome não estava lá.

Na decisão, o juiz Antonio José Fatia, da 21ª Vara do Trabalho de São Paulo reforça que a ordem eraa para autorizar somente pessoas que se enquadravam no perfil autorizado pela empresa, excluindo os negros.

“Mesmo quando havia reserva, se a pessoa fosse de raça negra, não era autorizada a entrar, havendo imediata exclusão na lista de reservas. A empresa exercia rígida fiscalização quanto a isso, ressalvadas celebridades”, diz o magistrado.

A defesa da Villa Mix nega a acusação de racismo e garante que a única restrição de ingresso “diz respeito ao vestuário, como uso de bermudas e sandálias”.

Confira abaixo nota encaminhada pela Villa Mix sobre o caso:

Prezados,

A casa de shows Villa Mix conta com quase 06 anos de atividade, proporcionando diversão e alegria aos seus clientes, sempre agindo em estrito cumprimento às normas e à ética, tratando toda e qualquer pessoa com igualdade. Considerando a veiculação da notícia com o título: “Justiça condena Villa Mix a pagar indenização a ex-funcionária por ter de restringir entrada de negros”, pela imprensa e pelas redes sociais, esclarece que a matéria vem
sendo divulgada de forma deturpada.

Referida sentença foi julgada parcialmente procedente, oriunda de um processo
trabalhista, sobre o qual será interposto recurso ordinário e, portanto, passível de modificação no Tribunal.

A respeito do racismo citado, é importante ressaltar que já houve investigação por órgãos realmente especializados (diferente da Justiça do Trabalho) para apurar eventual crime de racismo ou qualquer tipo de discriminação racial, tais como: membros do Ministério Público Civil e do Trabalho e também pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância – DECRADI, sendo todos os casos concluídos, após vastas investigações, pela inexistência de provas que atestem no sentido de ter existido qualquer prática de discriminação por parte da Villa Mix.

Há de se inclusive ressaltar que a mesma autora que ingressou com a ação alegando prática de discriminação por parte da casa, que supostamente teria lhe causado o dano moral e ‘abalo psicológico’, que há menos de uma semana, postava fotos em seu “instagram” divulgando a marca “Villa Mix”:

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