Justiça condena três acusados do homicídio do prefeito de Monte Alegre de Goiás

Um dos envolvidos na morte de Zé da Covanca é Luiz Carlos Medeiros, que participou do sequestro de Wellington Camargo, irmão dos cantores sertanejos Zezé di Camargo e Luciano

Vinte e dois anos depois, a 4ª Vara de Crimes Dolosos contra a Vida e Tribunal do Júri de Goiânia condenou três homens pelo homicídio de José da Silva Almeida, o Zé da Covanca, ocorrido em 25 de agosto de 1999. A vítima era prefeito de Monte Alegre de Goiás. Inclusive, um dos condenados participou do sequestro do ex-vereador de Goiânia Wellington Camargo, irmão dos cantores sertanejos Zezé di Camargo e Luciano, em 1998. O crime teve motivação política.

De acordo com a denúncia, um dos acusados, José Roberto Pinheiro Macedo, o Zé de Filó, era servidor público na administração de Zé da Covanca. Ele havia sido demitido do cargo e associou-se a Antônio Pereira Damasceno, então vice-prefeito de Monte Alegre de Goiás e denunciado como mandante do crime. Ele estaria rompido politicamente com a vítima e, com a morte do prefeito, tinha a perspectiva de assumir a chefia do Poder Executivo. Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), ele foi o responsável por agenciar a contratação e o transporte de pistoleiros para a cidade.

O terceiro envolvido é Floriano Barbo Rodrigues Neto, que também havia sido demitido do cargo que ocupava meses antes do crime. Ele era policial civil na cidade e auxiliou no homicídio de Zé da Covanca, emprestando o veículo dele para que José Roberto levasse mantimentos aos pistoleiros. Mesmo sabendo que o crime ocorreria, Floriano permaneceu em silêncio, descumprindo, de acordo com a denúncia, o dever como agente de segurança pública.

O quarto elemento é Luiz Carlos Medeiros, o Galego, que, na época, era conhecido assaltante e sequestrador. Ele é o que colaborou com sequestro de Wellington Camargo. Medeiros foi um dos três pistoleiros contratados para matar o prefeito. Conforme a denúncia, foi prometido a ele pagamento para executar o crime, bem como informações sobre transporte de dinheiro para as prefeituras da região.

Ao todo, o MPGO denunciou sete pessoas pelo homicídio. Além de Luiz Carlos Medeiros, José Roberto Macedo Pinheiro e Floriano Barbo Rodrigues Neto, todos condenados; um quarto acusado do crime não compareceu ao julgamento. O defensor de Antônio Damasceno, ex-vice-prefeito da cidade, conhecido por Toinho, apresentou atestado médico sob alegação de que ele está com Covid-19. Em virtude disso, o processo foi desmembrado. Quanto aos três outros envolvidos, um deles morreu há cerca de 16 anos e os outros dois nunca foram encontrados.

Condenações

Embora o crime tenha ocorrido em Monte Alegre de Goiás, houve mudança do foro do julgamento em 2016, por suspeita de quebra de imparcialidade do corpo de jurados. A sessão do Tribunal do Júri em Goiânia havia sido marcada para outubro do ano passado, mas acabou sendo adiada e aconteceu apenas na última quinta-feira. José Roberto Macedo Pinheiro foi condenado a sete anos de reclusão em regime semiaberto e Floriano Barbo Rodrigues Neto a 14 anos de prisão em regime fechado.

Luiz Carlos Medeiros, criminoso envolvido também no sequestro de Wellington Camargo, foi condenado a 15 anos de reclusão em regime fechado por – homicídio cometido mediante paga ou promessa de recompensa, praticado à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima, combinado com concurso de pessoas. Luiz Carlos chegou a ser preso no dia 02 de setembro de 1999 pelo sequestro do irmão de Zezé di Camargo e Luciano, mas ele fugiu.

Segundo a polícia ele furtou o carro usado no sequestro, ajudou na retirada de Wellington, que é paraplégico, da casa dele e permaneceu no cativeiro durante todo o tempo. Ele, inclusive, foi quem fugiu com US$ 38,6 mil dos US$ 300 mil pagos pela família Camargo em troca da libertação de Wellington, que teve parte da orelha esquerda cortada. O restante do dinheiro foi recuperado. O sequestro de Wellington Camargo aconteceu na véspera do Natal de 1998 e durou 94 dias.

Durante o júri sobre a morte do prefeito, o promotor de Justiça Paulo Brondi sustentou a acusação segundo os termos da pronúncia e requereu a condenação por homicídio qualificado. A defesa dos réus sustentou a negativa de participação e a retirada das qualificadoras. Os jurados, no entanto, reconheceram a materialidade e a autoria do crime, bem como a participação atribuída a todos os acusados. Admitiram as qualificadoras em relação a Floriano Barbo Rodrigues Neto e Luiz Carlos Medeiros, e as rejeitaram em relação a José Roberto Macedo Pinheiro.

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