Justiça anula mandados de busca e apreensão contra Ciro e Cid Gomes

Irmãos foram alvo de operação da Polícia Federal. Ciro acredita que ação foi determinada pelo presidente Jair Bolsonaro

Os desembargadores da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) anularam na última terça-feira, 22, as ações de busca e apreensão contra o pré-candidato à presidência da República Ciro Gomes (PDT) e o irmão dele, o senador Cid Gomes (PDT-CE). Os dois foram alvo de operação deflagrada pela Polícia Federal (PF), que cumpriu 14 mandados de busca e apreensão contra os Ferreira Gomes. A ação os investigava por supostos crimes de licitação nas obras do estádio Castelão, em Fortaleza (CE). A operação foi autorizada pela 32ª Vara da Justiça Federal. 

O juízo do TRF5 foi provocado por um pedido de habeas corpus solicitado pelo pedetista, que tinha confiança de que o pedido seria atendido porque houve uma “ação subordinada do presidente [Jair Bolsonaro, do PL]”. “Mesmo nos momentos de maior indignação nunca duvidei de que a verdade e a justiça prevalecessem sobre o arbítrio, a manipulação e a prepotência. Esta decisão do TRF-5 honra o judiciário brasileiro”, avalia o presidenciável. Na época, ele e o irmão (ex-governador entre 2011 e 2014) receberam o apoio de políticos como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT).  

Eles e outros membros da família estavam sendo investigados pela PF por um suposto envolvimento de políticos em um esquema de fraudes e pagamentos de propina na construção do estádio, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. O presidenciável, no entanto, não ocupava cargo público na época. Até mesmo o Ministério Público Federal (MPF), por meio do procurador Luiz Carlos de Oliveira Júnior, se manifestou contra a decisão de cumprir os mandados de busca e apreensão. Naquela época, o procurador afirmou que a eficácia da medida exige contemporaneidade dos fatos supostamente criminosos praticados. O que não era o caso. 

“Linchamento moral” 

O que houve, segundo a defesa do pedetista foi um “linchamento moral”, porque todas as buscas foram determinadas com base apenas no testemunho de delatores da Odebrecht e da Queiroz Galvão, “sem nenhuma prova que corrobore para as suas declarações”. “O habeas corpus torna nula aquilo que era uma arbitrariedade, aquela violência que eu sofri na minha casa, junto com a minha mulher e com minha família”. “Fui vítima de uma arbitrariedade e me concedeu uma ordem de habeas corpus e mandou anular aquela operação, que se fez justiça”, acrescenta Ciro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.