Jovens advogados aderem à cultura compartilhada em escritórios da OAB

Diante dos desafios do desemprego e do inchaço do mercado de trabalho, gestão OAB-GO implanta escritório compartilhado ao iniciante na carreira

Foto: divulgação

A Rua 1 do Centro de Goiânia, local que carrega a história da advocacia em Goiás, que já abrigou a seccional goiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO) e a Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag) é, hoje, um escritório compartilhado, equipado com 54 estações de trabalho com computadores conectados à internet para peticionamento eletrônico e 10 salas de reuniões preparadas para atendimento aos clientes.

O prédio, construído em estilo Art Decó e inaugurado na década de 1950, foi reformado em maio do ano passado, mantendo suas características originais, para abrigar um espaço essencial àqueles que estão em início de carreira.

A obra, que durou cerca de quatro meses, é apontada como um dos ganhos que a advocacia jovem teve durante a gestão de Lúcio Flávio de Paiva frente à OAB-GO. Em um mercado com cerca de 1,1 milhão de advogados atuantes no país e com um contingente de 30,5 mil estagiários na área, os iniciantes nessa carreira sofrem para garantir a inserção e a conquista dos primeiros clientes.

É nesse sentido que a cultura compartilhada pode ajudá-los. No “Meu escritório” (ME) – como é conhecida essa unidade compartilhada –, há equipamentos necessários para impressão, fotocópia e digitalização, além de telefones e aluguéis de salas com tarifas tabeladas bem abaixo do preço de mercado.

Vai e volta

Se até 2017 esses serviços tinham custos baixos, decorrentes dos subsídios da Casag, o iniciante na carreira tem hoje outro benefício. A entidade, desde fevereiro de 2018, passou a contar com um novo programa, o “Bumerangue – Anuidade Vai e Volta”. Com ele, todos os serviços do ME saem a custo zero, pois serão debitados dos créditos gerados pelo pagamento da anuidade.

Para participar do Bumerangue, o profissional do Direito tem de estar em dia com a anuidade. Se ela tiver sido paga em parcela única, os advogados terão como saldo disponível o valor total pago. Todavia, se o pagamento tiver sido parcelado, a cada mês será disponibilizado o valor referente às parcelas pagas. Em ambas as modalidades, 50% dos 496 reais da anuidade podem ser utilizados em qualquer serviço oferecido pela Casag ou pelo CEL da OAB e os outros 50% em qualquer Curso de Capacitação oferecido pela Escola Superior da Advocacia (ESA).

A iniciativa almeja que os advogados realmente usufruam do dinheiro que eles aplicam na OAB. “Nós desenvolvemos este projeto como forma de dar a eles a oportunidade de administrar o investimento feito na advocacia. Agora os colegas terão de volta todo o valor pago da anuidade em serviços diversos que são de seu próprio uso”, ressaltou o presidente da Casag, Rodolfo Otávio Mota.

Quase 1.900 advogadas e advogados já utilizaram o Meu Escritório com créditos da anuidade. A ideia da gestão de Lúcio Flávio – se reeleita no próximo dia 30 de novembro – é ampliar o programa Bumerangue para permitir um maior uso dos benefícios. Outra vantagem do escritório se refere aos horários de atendimento, que vão de segunda à sexta-feira, das 7 às 22 horas, e aos sábados, das 8 às 18 horas. “O horário é ideal também àqueles que precisam peticionar após o horário comercial”, explica Rodolfo Mota.

Pertencimento

O estímulo à carreira ocorre em paralelo ao estímulo à entrada na política classista. O atual presidente da OAB-GO, Lúcio Flávio, diz que, se reeleito, vai apoiar a criação do projeto de lei que visa derrubar a cláusula de barreira. Este é um tema central para os jovens advogados. Somente com a derrubada desta cláusula, os profissionais em início de carreira vão poder atuar como conselheiros e diretores, sendo mais ativos nas políticas da classe.

Antes de ser aprovada pelo Legislativo brasileiro, a pauta já passou – no último dia 2 de outubro – por uma votação no Conselho Federal da OAB. A entidade derrubou a regra que impedia advogados com menos de cinco anos de inscrição na Ordem de comporem chapa nas eleições da instituição. Membros da Comissão da Advocacia Jovem da OAB-GO (CAJ) estiveram presentes nas reuniões do Conselho e fizeram pressão de modo a garantir o enfrentamento da matéria.

Para a advogada Eli de Siqueira, a gestão de Lúcio Flávio garantiu ao iniciante na carreira estrutura para atuação e espaço democrático para as ações da CAJ. “Esse jovem tem a necessidade de buscar: como advogar? Para onde eu vou? Então a OAB tem dado um apoio muito grande ao advogado jovem”, ponderou.

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