Jovem denuncia desembargador, recém-aposentado do TJGO, por assédio

Fato teria ocorrido dias antes da aposentadoria do desembargador Orloff Neves Coelho, afastado definitivamente na segunda-feira, 3. TJGO diz ter aberto “procedimento apuratório preliminar” visando elucidar os fatos na esfera administrativa

Orloff Neves Coelho / Foto: Reprodução

Uma jovem de 22 anos procurou a Primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Goiânia (DEAM), localizada na Região Central de Goiânia, para denunciar o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) Orloff Neves Coelho pela prática de “assédio” ocorrida em seu gabinete.

De acordo com seu relato — para evitar maiores constrangimentos, terá sua identidade preservada —, no dia 28 de abril, a jovem, que presta serviço no TJGO por meio de uma empresa terceirizada, teria sido acionada para atender o gabinete do desembargador. Lá, foi solicitado que ela fizesse a formatação de seu computador, pois o magistrado Orloff Neves Coelho iria se aposentar dias depois e iria entregar o aparelho.

Segundo o narrado à Polícia Civil, ao concluir o serviço, o desembargador agradeceu e a elogiou pelo trabalho prestado. Em seguida, o magistrado a teria convidado para saírem para um barzinho e lhe entregou um cartão com seu telefone de contato. Na ocorrência policial, a mulher diz ter ficado “constrangida” com a situação e que não teria conseguido ser incisiva na negativa por se tratar de um desembargador.

Ainda conforme informações contidas no boletim de ocorrência, o desembargador teria insistido — chegando a pedir um abraço. À delegada que acompanha o caso, a jovem diz que, mesmo constrangida, o abraçou. E narra que, ao abraçá-la, o desembargador começou a beijar seu pescoço, arrancando, em seguida, sua máscara na tentativa de beijar sua boca.

Segundo a ocorrência policial, após entender que a servidora não cederia às investidas, o desembargador a soltou. Quando virou de costas para deixar o gabinete, a jovem teria sido surpreendida com o que relatou como um “tapão na bunda”. Ela deixou a sala e relatou tudo o que havia acontecido à sua superiora, que, por sua vez, a encorajou a denunciar o fato.

Diante das acusações já protocoladas junto à autoridade policial, a reportagem do Jornal Opção tentou localizar o desembargador Orloff Neves Coelho para que pudesse apresentar sua versão sobre os fatos narrados pela mulher. Até a publicação da matéria, o magistrado não foi localizado. Contudo, o espaço continua aberto para manifestação do contraditório.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás informou que, assim que tomou conhecimento das acusações, teria aberto um “procedimento apuratório preliminar” visando elucidar os fatos na esfera administrativa. Tal procedimento segue, segundo o TJGO, em tramitação. Pelo que se sabe, o Conselho Nacional de Justiça não recebeu nenhuma notificação a respeito.

Aposentadoria

Segundo informações do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, o presidente Carlos Alberto França declarou aposentado voluntariamente o magistrado. O decreto foi assinado na sexta-feira, 30 — dois dias depois do ocorrido. Orloff Neves Coelho está afastado — em caráter definitivo — desde segunda-feira, 3 de maio.

Orloff Neves Coelho ingressou na magistratura estadual em 1985 e atuou nas comarcas de comarcas de Piranhas, Caiapônia e Ceres. Vinte e sete anos depois de ingressar na magistratura, assumiu o cargo de desembargador do TJGO pelo critério de antiguidade, no dia 26 de junho de 2012.

O desembargador era presidente da 1ª Câmara Cível. Em 2014, assumiu o cargo de ouvidor-geral do Poder Judiciário do Estado de Goiás, na gestão do desembargador Ney Teles de Paula. Orloff Neves Coelho é natural de Dianópolis, no Tocantins, e graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Antes da magistratura, exerceu a advocacia por 15 anos e também foi docente universitário na cidade de Goiás. É considerado por colegas como um magistrado discreto e eficiente.

ASMEGO

Em nota divulgada à imprensa, a Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (ASMEGO) defendeu que as instituições devem observar o devido processo legal. O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) já abriu procedimento para apurar os fatos na esfera administrativa. A associação defende, ainda, que as investigações transcorram de forma ágil, ética e eficiente.

 

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