Jovair Arantes diz que Dilma não gosta da Câmara e que impeachment é reação ao desdém

Deputado e relator de processo de impeachment da presidente defendeu necessidade de diálogo entre Executivo e Legislativo e criticou postura autoritária da petista

08/04/2016 - Brasília - DF, Brasil - Reunião Extraordinária para discussão do parecer do Relator. Foto:  Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Em seu relatório, Jovair criticou principalmente a abertura de créditos suplementares por decreto presidencial, do seu ponto de vista, uma arbitrariedade | Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

O deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO), relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados disse, em entrevista à Folha de São Paulo, que a petista “Não gosta da Câmara”. Segundo ele, o processo de afastamento contra ela seria, em parte, uma reação dos parlamentares ao “pouco caso” feito pela governante.

Jovair ressaltou que é salutar que o presidente e os membros do Congresso mantenham uma relação amigável e troquem ideias. Dilma deveria, na opinião do parlamentar, consultar a Câmara e o Senado, ouvi-los antes de tomar decisões. Segundo ele, a presidente só o fez depois que o país entrou em crise. Mesmo assim, apesar de ter escutado, não colocou em prática as sugestões dadas pelos deputados.

“Já participei de reuniões com ela, mas muito mais para dizer amém do que para levar qualquer sugestão”, reclamou ele. Para o petebista, a crise que culminou no processo de impeachment teve, sem dúvidas, início nesta falta de comunicação. “Para ela, o Congresso era só para votar o Orçamento para fazer do jeito que ela quisesse e depois aprovar as contas, quando viessem, do jeito que viessem”, lamentou.

Relatório

Em seu parecer, anunciado publicamente na quarta-feira (6/4), Jovair adotou uma postura extremamente crítica em relação aos decretos presidenciais que autorizavam abertura de créditos suplementares. Segundo ele, a atitude da presidente invadia premissas do Poder Legislativo e menosprezava a importância da fiscalização das contas públicas feita pelo Congresso.

“Se ela quer fazer qualquer tipo de ação que possa ser diferente do que foi aprovado, tem que pedir”, argumentou Jovair. “E o Congresso tem que aprovar. É simples assim. O contrário é coisa de governo totalitário, absolutamente centralizado, que não quer saber dos outros”, finalizou.

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