Jovair Arantes avisa que “pressão das ruas” não irá influenciar em relatório do impeachment

Em entrevista, o deputado goiano e relator do processo do impeachment na Câmara dos Deputados falou sobre a posição de destaque na comissão 

Deputado federal Jovair Arantes (PTB) foi escolhido como relator da Comissão Especial que que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados | Foto: Larissa Quixabeira / Jornal Opção

Deputado federal Jovair Arantes (PTB) foi escolhido como relator da Comissão Especial que que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados | Foto: Larissa Quixabeira / Jornal Opção

O deputado federal por Goiás Jovair Arantes (PTB) foi escolhido na semana passada como relator da Comissão Especial que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados. Cabe a ele analisar e emitir um parecer a ser votado pelo colegiado antes que a denúncia siga para votação em plenário.

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (23/3), em seu escritório político em Goiânia, o deputado admitiu que é uma tarefa espinhosa, mas ao mesmo de extrema importância para a história do Brasil.

“Estamos diante de uma discussão efervescente e existe ódio muito grande por todas as partes envolvidas, até pela convulsão social que está acontecendo no país. Então estamos pisando em ovos, realizando nosso trabalho com muito cuidado e responsabilidade”, declarou.

O PTB, partido do deputado goiano, faz parte da base aliada do governo Dilma, mas no Congresso, Jovair também é conhecido por sua boa relação com o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abertamente pró-impeachment.

Em seu sexto mandato como deputado federal, Jovair fez questão de reiterar em entrevista que tem uma boa relação com todos os colegas de Casa e até mesmo por isso teria sido escolhido como relator. Os parlamentares escolheram também o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) como presidente que vai editar e chefiar os trabalhos da comissão especial.

“Vou realizar o relatório com o máximo de isenção possível. Vou deixar as outras denúncias que surgiram contra a presidente depois que o processo foi aberto e também a pressão das ruas a cargo dos deputados que votarão em plenário”, declarou Arantes, e completou, “sei que ao final terei que me posicionar através do meu relatório e é óbvio que existem pressões de todos os lados mas por enquanto prefiro na emitir minha opinião e apenas fazer o relatório analisando as denúncias dentro da legalidade”.

Três acusações fazem parte da denúncia contra a presidente Dilma Rousseff. O pedido acolhido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), é de autoria dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal.

A presidente é acusada de crimes de responsabilidade, com as “pedaladas fiscais”, assinatura de decretos de abertura de crédito sem autorização do Congresso e pelo crime de improbidade administrativa por omissão no caso de corrupção na Petrobrás.

Destes três, o relator Jovair Arantes destaca o aditivo de crédito sem a autorização do Congresso, prática comum em outros governos. “O poder legislativo está sem crédito no Brasil porque governadores, prefeitos e presidentes passam por cima desse poder. Usar crédito sem autorização do Congresso, apesar de comum, é uma prática gravíssima, que tem que ser extinta”.

Sobre as recentes falas da presidente Dilma, em que a petista defende que está sendo vítima de uma tentativa de golpe, o deputado comentou: “A Dilma é uma mulher de fibra, que sempre esteve nas lutas populares e está defendendo com unhas e dentes o mandato que foi dado a ela pelo povo, de maneira democrática. Agora, o mandato não autoriza ninguém a estar acima da lei. Se houver provas da ocorrência de crime, então é a constituição federal que define o que se deve fazer”.

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