Deputado José Vitti questiona possíveis problemas relativos à reforma administrativa do governo

O petista Luís César Bueno também questiona a junção de pastas, mas diz que não irá interferir nas ações do governador

Foto: Carlos Costa/ Alego

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O projeto da reforma administrativa, de autoria do governador Marconi Perillo (PSDB), apresentado pelo gestor no último dia 13, começou a tramitar na Assembleia Legislativa na última terça-feira (18/11), e é o foco de debate dos deputados desde estão. O tucano José Vitti, do segmento agrícola, afirma que o projeto é temerário, e que deverá ser amplamente discutido na Casa. “Entendemos que deve haver um enxugamento da máquina, mas precisamos ver se isso não irá prejudicar a ação das secretarias”, explicou.

O deputado cujo nome é o mais cogitado para a presidência da Assembleia na próxima gestão (que dura dois anos), diz ter certeza que “Marconi sabe exatamente o que está fazendo”, mas admite: “É claro que ficamos temerários. Por isso essa reforma será muito discutida.” De acordo com ele, será um grande processo de convencimento dos vários segmentos atingidos. “Nos preocupamos se um secretário conseguirá fazer uma gestão eficiente”, afirmou. Questionado sobre o papel dos subsecretários que estarão em cada secretaria, responsáveis por uma vertente da pasta, o parlamentar respondeu com outra pergunta: “Ok, mas esses subsecretários vão ter poder de decisão?”

Foto: Carlos Costa/ Alego

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O relator Talles Barreto (PTB), que devolveu o projeto nesta quarta-feira (19/11), teve uma reunião com representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), que reclamam da extinção da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação — incorporada à de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico, junto com as secretarias de Indústria e Comércio; Ciência, Tecnologia e Inovação; e a Agência Goiana de Desenvolvimento Regional. “O ponto de vista deles é importante, mas garanto que não haverá perda referente aos repasses para nenhuma secretaria”, afirmou.

Talles, relator da reforma, sustenta que a nova pasta será uma “super secretaria”, e que a própria estrutura do agronegócio poderá aproveitar os investimentos que vão existir dentro das subsecretarias. “Tenho certeza que com vários dispositivos importantes que o governador colocou, temos condição de melhorar em relação aos investimentos, com a valorização do agronegócio em Goiás”, disse. Perguntado sobre o ponto mais temerário que o projeto engloba — as verbas federais –, o parlamentar esclarece: “A verba da agricultura vai ficar na agricultura. A economia não está na distribuição de verba, mas sim na estrutura das próprias secretarias que estão sendo extintas.”

O parlamentar pelo PTB devolveu nesta quarta-feira (19) o documento na Comissão Mista da Casa, sem nenhuma ressalva e com a sua aprovação. Além de parabenizar o governador Marconi Perillo pelo projeto, Talles ainda reafirmou o compromisso com a garantia das verbas em cada secretaria. “Não terá nenhuma perda, apenas o enxugamento da máquina pública.” Os deputados Simeyzon Silveira (PSC), Major Araújo (PRP), Henrique Arantes, (PTB), Júlio da Retífica (PSDB), Ney Nogueira (SDD) e Carlos Antônio (SDD) fizeram o pedido de vistas.

Júlio da Retífica também vê com grande importância o projeto, tanto para o Estado de Goiás quanto para todo o país. “O projeto está bom, principalmente no sentido de diminuir o tamanho do Estado, em uma ação do governador de enxugar a máquina pública”, disse. Segundo o parlamentar, essa ação dará mais celeridade ao processo, com uma proximidade maior do governador, que poderá se encontrar mais vezes com os secretários, já que a quantidade de titulares das pastas diminuirá. “Precisamos economizar. Não vai ter penalização nenhuma para os segmentos das secretarias, e acredito que vai melhorar e muito”, atesta.

Foto: Carlos Costa/ Alego

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Já o petista Luís César Bueno enxerga como problemática a junção de algumas pastas. “Como se pode misturar chuchu com limão? A miscelânea de órgãos, de pastas que não têm afinidades, pode ser problemática no processo de gestão, e a população pode pagar caro”, apontou. Mesmo com esse posicionamento, o parlamentar descarta possibilidade de apresentar emenda ou interferir no documento. “O governador precisa ter a liberdade para fazer os ajustes que ele precisa fazer e as economias que ele julga serem necessárias.”

O político sustenta que se atentou apenas às questões referentes à constitucionalidade do projeto. “Na última reforma [de 2011] havia inconstitucionalidade, mas dessa vez está tudo certo. O restante é uma questão política e cabe ao governador, que ganhou as eleições, fazer isso”, concluiu.

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