Após a sinalização do ajuste, presidente disse em sua conta no Twitter que é preciso preservar a emenda do teto; para deputado, recuo de Bolsonaro gera instabilidade

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O deputado federal José Nelto, líder do Podemos na Câmara, considerou a atitude do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em voltar atrás na decisão de uma possível revisão na lei do teto de gastos, como uma postura que gera instabilidade política e econômica.

Segundo o deputado, o porta-voz da presidência da república, Otávio do Rêgo Barros, afirmou, na última quarta-feira, 4, que o presidente defende que a Lei do Teto de Gastos seja alterada, pois, caso isso não aconteça, a máquina pública será paralisada. Entretanto, após a sinalização do ajuste, Bolsonaro voltou atrás. Em sua conta do Twitter, o presidente alegou que é preciso “preservar” a emenda do Teto.

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“É muito difícil. Na economia o Presidente sinaliza que a matemática é exata, mas não mostra a verdade da situação do país, e no outro dia recua. Isso pode agravar em um apagão no setor público, que já está iminente”, pontuou José Nelto. Para o deputado a postura do chefe de governo causa um sentimento instável tanto nos investidores brasileiros, quanto nos estrangeiros.

De acordo com o líder do Podemos, o diálogo precisa ser estreitado, e a reforma tributária deveria ser uma prioridade na agenda de Guedes. “A política econômica do Paulo Guedes é uma politica de recessão, é uma politica para agradar os banqueiros, tendo os juros mais altos. Além disso, não tem proposta para a reforma tributária, permanece protelando. Estamos caminhando para o décimo mês de governo e não temos uma proposta da equipe da economia para essa reforma”, ressaltou.

José Nelto destacou a falta de interesse da equipe econômica do governo em alterar a regra, mas ressalta que há a necessidade de uma mudança no intuito de flexibilizar o mecanismo. Para tanto, o deputado sugere: “Uma alternativa poderia ser a permissão para correção das despesas não só pela inflação, mas também pelo crescimento do PIB do ano anterior”.

No que diz respeito à repercussão da atitude de Bolsonaro, o deputado está pessimista: “Lamentavelmente, é isso que vejo que vamos enfrentar pela frente. Eu quero ver o que vai acontecer na hora que o país paralisar, servidores nas ruas, desempregados nas ruas, o empresariado pagando uma carga tributária altíssima… a equipe econômica ficará insustentável”.