José Délio: “Serei candidato em 2030, mas ainda vamos avaliar o cenário para ver qual posição melhor se encaixa em nosso projeto”
24 outubro 2026 às 21h00

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Em 2024, José Délio Alves Júnior, o Zé Délio (UB), foi reeleito prefeito de Hidrolândia com 100% dos votos válidos. O município da Região Metropolitana de Goiânia, conhecido como a “capital da logística” de Goiás, foi o maior do estado a ter candidatura única no pleito municipal – e não por acaso: levantamentos realizados no ano da reeleição apontaram uma aprovação superior a 90% do gestor. Dois anos depois, Zé Délio atuou como um dos grandes articuladores pelo diálogo e apoio massivo dos prefeitos à reeleição do governador Daniel Vilela e da eleição da ex-primeira-dama Gracinha Caiado para o Senado. Ele, inclusive, foi o coordenador-geral da campanha da senadora eleita.
Político jovem – tem apenas 37 anos -, mas com vasta experiência política, Zé Délio é fortemente ligado ao ex-governador Ronaldo Caiado e ao governador Daniel Vilela. Ele também preside a Associação Goiana de Municípios, a AGM, e garante que vai para a reeleição à frente da entidade no ano que vem.
Nesta entrevista ao Jornal Opção, o prefeito hidrolandense destaca o diálogo sólido construído entre o governo estadual e os municípios e diz que, passado o primeiro turno, os prefeitos querem, principalmente, “a continuidade de todos os programas estaduais”. Zé Délio também analisa suas opções para a política a longo prazo, afirma que vai se candidatar a um cargo em 2030 e descarta integrar a composição do novo governo de Daniel Vilela. “Acredito que preciso honrar a população e permanecer até o fim do mandato”, crava.
Ton Paulo – Vocês, seu grupo, reelegeram Daniel Vilela com muito êxito, com quase 60% dos votos. O senhor teve uma atuação essencial nessa reeleição, principalmente na articulação com os municípios. Esse resultado que vimos nas eleições era algo esperado por vocês, considerando o trabalho que desenvolveram aqui em Goiás?
Acrescento o seguinte: além do governador, elegemos uma senadora, a maior bancada federal e a maior bancada estadual. O Legislativo é tão importante quanto os municípios.
Estou à frente da Associação Goiana dos Municípios (AGM) há dois anos.
Tive a oportunidade de chegar à unanimidade dos municípios filiados a uma instituição de 68 anos de existência. A AGM nunca havia conseguido ultrapassar 221 municípios filiados. Em seis meses, conseguimos ampliar esse número e chegar aos 246 municípios.
Visitei 90% desses municípios pessoalmente, conversando com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários municipais. Também levei o trabalho da AGM, mostrando o que podemos fazer em termos de parceria e auxílio aos municípios, que é o nosso papel, a nossa essência.
Além disso, fizemos essa mediação entre o governo do Estado, a Assembleia Legislativa, a Câmara Federal, o Senado e o Congresso como um todo, buscando ações voltadas aos municípios. Nosso intuito é fortalecer cada vez mais as cidades.
Quero continuar ajudando Daniel Vilela por meio da AGM e do trabalho desenvolvido no meu município, inclusive para demonstrar que não apoiei o governo pensando em ocupar algum cargo posteriormente
Nesse sentido, tínhamos a preocupação de perder tudo aquilo que conquistamos no governo Caiado, que foi o fortalecimento dos municípios. Não existe um bom governo estadual sem uma política municipalista. Hoje, os resultados acontecem lá na ponta, e os benefícios são muitos, decorrentes das nossas demandas.
Se temos recapeamento, GMM nos municípios, casas a custo zero, programas de pontes e bueiros na zona rural, patrulhas mecanizadas para conservar nossas estradas e programas sociais vinculados à assistência social dos municípios, tudo isso é resultado dessa boa relação entre o governo do Estado e as cidades.
Essa preocupação nos levou a buscar uma aproximação ainda maior. Recebi o convite para coordenar a campanha da senadora eleita Gracinha Caiado, justamente por essa nossa identidade com o municipalismo, e também para ajudar o candidato Daniel Vilela em sua reeleição.
Esse trabalho aconteceu não apenas no Estado, mas também na minha cidade. Acredito que santo da casa tem que fazer milagre, sim. Conseguimos dar a maior votação para Daniel Vilela na Região Metropolitana e também a maior votação para Gracinha Caiado, com mais que o dobro dos votos do segundo colocado.
Caiado também teve o dobro da votação registrada na média estadual. Enquanto recebeu 12% dos votos no Estado, em Hidrolândia alcançou 25,5%.
Ton Paulo – Uma das primeiras iniciativas do governador Daniel Vilela após a reeleição foi justamente uma aliança com alguns dos adversários do primeiro turno, como Gustavo Gayer, que hoje participa de atos ao lado de Daniel em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro. Também tivemos uma eleição expressiva do PL na Alego. O senhor acredita que haverá uma união duradoura entre a base governista e o PL, não apenas neste segundo turno, mas também ao longo do segundo mandato de Daniel Vilela?
O primeiro ponto que considero é que Gustavo Gayer e o PL já mantinham conversas preliminares com Caiado e Daniel, e Gayer seria o candidato da base. Mais adiante, Wilder conseguiu convencer Valdemar, presidente do PL, a lançar uma candidatura própria. Foi nesse momento que Gayer acabou ficando do outro lado, embora também tivesse a vontade de caminhar com o grupo, por entender que o projeto estava dando certo.

E a população? Mesmo com o efeito bolsonarista que houve na eleição, Caiado conseguiu eleger seu sucessor no primeiro turno e também sua esposa. Goiás apresentou uma realidade completamente diferente da observada em praticamente todos os estados do país.
Isso demonstra a força de um governo promissor, em que a população soube separar as coisas, não votou automaticamente em todos os candidatos de um mesmo grupo e conseguiu identificar quem considerava as melhores opções. Por isso, acredito que essa aliança vai acontecer.
Euler de França Belém – É muito importante a independência do Legislativo, mas também é fundamental ter um presidente responsável, que compreenda que a relação com o Executivo precisa ser produtiva, não para agradar ao governador, mas em benefício do Estado. Na sua avaliação, o novo presidente da Alego pode sair do MDB ou do União Brasil?
Temos dois nomes colocados para essa disputa, que vêm sendo bastante mencionados recentemente: o ex-prefeito e atual deputado Issy Quinan e Virmondes Cruvinel, que está em seu quarto mandato consecutivo e também tem um DNA político.
Acredito que ambos são municipalistas, têm condições reais de fazer uma boa disputa e integram a base do governador. Embora Issy seja do MDB, temos hoje uma configuração em que o governador é do MDB, o vice é do PSD e, por que não, o presidente da Assembleia Legislativa poderia ser do União Brasil?
Acredito que os dois terão tempo, até o início de fevereiro, para essas tratativas e conversas. Tenho absoluta convicção de que não haverá briga ou uma disputa que provoque divisão dentro do grupo. Essa é uma fase preliminar, algo que acontece em todas as eleições para presidências de câmaras municipais e assembleias legislativas. Faz parte das articulações colocar o nome à disposição.
Vamos observar quem terá maior capacidade de reunir apoios e desenvolver esse trabalho. Sei que ambos, que são os nomes mais comentados, têm total alinhamento com Daniel Vilela e com o projeto político da base. Também possuem condições reais de garantir governabilidade, promover uma verdadeira transformação na relação entre o Legislativo e o Executivo e contribuir para a conclusão desse ciclo de Daniel.
Infelizmente, será um mandato curto. Daniel está com muita energia, mas, como já é considerado reeleito, não poderá se candidatar novamente.
Ton Paulo – Sobre o novo projeto envolvendo a Prefeitura de Goiânia e o Ministério Público, que prevê a integração de dados fiscais entre os municípios da Região Metropolitana e Goiânia. Nesta fase inicial, participam Goiânia, Trindade e Senador Canedo, mas o prefeito Sandro Mabel afirmou que a intenção é chegar a todos os municípios de Goiás, começando pela Região Metropolitana, o que inclui Hidrolândia. Já houve alguma conversa sobre esse projeto de integração fiscal?
Não com todos os municípios, mas essa é uma situação que deve acontecer em breve. A Receita Federal também já está integrando seus sistemas aos bancos de dados dos municípios em razão da reforma tributária.
Tudo isso será vinculado, e não tenho dúvidas de que, com a evolução tecnológica, esses dados deverão ser compartilhados, inclusive para evitar a sonegação fiscal e ajudar ainda mais a administração pública a avançar.
Ton Paulo – Como Hidrolândia está reagindo à reforma tributária?
Vamos perder muito com isso. Meu município hoje abriga grandes empresas do mercado mundial, como Shopping, Amazon, Mercado Livre, Casas Bahia, Ponto Frio, Magalu, Casa do Pica-Pau, Drogasil, Pague Menos e Pacheco. Mas temos consciência de que, ao longo do tempo, essa situação vai se acomodando.
Porque o que é a reforma? O que nos preocupa? Hoje, os municípios têm três impostos: IPTU, ITBI e ISS. O Estado também tem três: IPVA, ITCD e ICMS. O principal imposto estadual é o ICMS, que vai acabar com a reforma. O principal imposto municipal é o ISS, que também será extinto. Os dois impostos vão se unir para criar o IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, cuja arrecadação será distribuída aos entes federativos. Teremos, portanto, uma contrapartida.

O que realmente vai mudar é que, hoje, a arrecadação ocorre com base na produção. Pelo que é produzido ou pelos serviços prestados no município, recebemos o ISS. Com o novo imposto, a arrecadação passará a considerar o consumo. Ou seja, aquilo que as pessoas compram, gastam e consomem. E isso está diretamente relacionado à população.
Quanto mais habitantes, maior o consumo. Quanto menos habitantes, menor o consumo. Essa lógica será diferente da que temos atualmente.
Por exemplo, um município que concentra muitas empresas arrecada mais. Da mesma forma, municípios com grande produção mineral, pecuária ou agrícola também têm uma arrecadação maior.
Esse é o grande gargalo, o principal receio que temos em relação à forma como será feita a distribuição do IBS.
Ton Paulo – Tivemos recentemente a aprovação da PEC que põe fim à escala de trabalho 6 por 1. O senhor, como presidente da AGM, chegou a ser procurado por prefeitos ou entidades para discutir essa decisão, seja de maneira positiva ou negativa?
Sim, fomos procurados pela Fieg, por várias entidades e por prefeitos. Realizamos uma reunião na sede da AGM para discutir essa preocupação. Aprovar uma medida dessa natureza na semana da eleição, faltando dez dias para o pleito, é também uma falta de consideração com as entidades.
Porque foi uma decisão política, literalmente política, tomada em meio ao segundo turno. Essa questão precisa ser mais bem discutida. Quem vai pagar essa conta? O empresário terá prejuízos de um lado, mas e as prefeituras? Como ficará a coleta de lixo aos sábados? E a coleta de entulho?
Além do governador, elegemos uma senadora, a maior bancada federal e a maior bancada estadual. O Legislativo é tão importante quanto os municípios
O governo federal vai ajudar os municípios a arcar com esses custos? Ou vamos simplesmente encerrar os serviços na sexta-feira à tarde, deixar de recolher o lixo, de varrer as cidades e de limpar os banheiros públicos nos fins de semana, como se estivesse tudo resolvido? É preciso analisar essas consequências.
Sou a favor da redução da jornada? Sim. Desde que o governo federal, responsável pela proposta, também divida essa responsabilidade com os municípios. Não apenas o ônus, mas também o bônus.
Ton Paulo – O senhor teve um papel muito importante na reeleição do governador Daniel Vilela e na eleição da senadora Gracinha Caiado. Existe a possibilidade de o senhor integrar efetivamente a gestão estadual, assumindo alguma pasta, ou a intenção é permanecer no município?
Optei por permanecer no município e continuar na Associação Goiana dos Municípios. Acredito que tive um crescimento político construído degrau a degrau. Tive a oportunidade de ser o vereador mais jovem do meu município, aos 23 anos, e o mais votado da história, aos 27.
Também fui o prefeito mais jovem da história, aos 31 anos. Aos 35, fui reeleito prefeito, como candidato único, com a maior votação nominal do Estado de Goiás.

Hoje estou no meu quarto mandato eletivo consecutivo, com apenas 37 anos de idade. Acredito que preciso honrar a população e permanecer até o fim do mandato. Também sou o presidente mais jovem da história da Associação Goiana dos Municípios.
Quero continuar ajudando Daniel Vilela por meio da AGM e do trabalho desenvolvido no meu município, inclusive para demonstrar que não apoiei o governo pensando em ocupar algum cargo posteriormente. Ajudei porque acredito que é um governo de resultados, de entregas, e porque sei que posso contribuir muito.
Mesmo sem ocupar um cargo no governo estadual, assim como já auxiliei Caiado, posso continuar contribuindo com a gestão de Daniel Vilela.
Ton Paulo – Mas houve um convite por parte de Daniel Vilela?
Ele já me convidou publicamente, inclusive durante inaugurações no meu município, afirmando que estaria à disposição para que eu integrasse o governo.
Mas preferi não participar neste momento, porque ainda tenho muito a entregar à minha cidade e também à Associação Goiana dos Municípios.
Ton Paulo – Em 2027, haverá eleição para a nova mesa diretora da AGM. O senhor pretende se candidatar à reeleição?
Sim. Acredito que temos um apoio expressivo dos prefeitos e condições reais de continuar contribuindo com os municípios. Não tenho dúvidas de que, mantendo o compromisso com as entregas e as parcerias, temos condições de dar continuidade a esse trabalho.
Quando assumi, a primeira coisa que procuramos demonstrar foi a autonomia e a independência dos municípios. Também propus que a associação se tornasse um centro de capacitação. Hoje, promovemos semanalmente diversos cursos voltados a secretários, prefeitos, primeiras-damas, vereadores e vice-prefeitos, com o objetivo de aprimorar a administração pública e melhorar os resultados entregues à população.
A AGM tem um papel político, municipalista e de entrega de resultados, mas também de formação. Foi nesse sentido que trabalhamos e conseguimos avançar muito. Ampliamos a estrutura física, reformamos a antiga sede, expandimos os espaços e adequamos o estacionamento.
Teremos quatro anos para trabalhar na construção de uma candidatura em 2030 e avaliar em qual posição a população goiana entenderá que posso contribuir mais
Fizemos toda uma reestruturação física, tornando a sede mais robusta e organizada, mas também aprimoramos o corpo técnico, com novos analistas ambientais e profissionais voltados à reforma tributária. Além disso, investimos na capacitação dos gestores, que é uma das nossas principais missões para proporcionar melhores condições de vida à população.
Ton Paulo – Passado o primeiro turno eleitoral, quais são as principais demandas que os prefeitos têm levado ao senhor, especialmente em relação à nova gestão de Daniel Vilela?
Os prefeitos querem, principalmente, a continuidade de todos os programas estaduais. É claro que cada município tem suas demandas específicas e pontuais, como a construção de determinada ponte ou a pavimentação de uma via.
Mas o governo dispõe de um conjunto de programas e benefícios destinados aos municípios, como mencionei anteriormente. Temos o GMM, voltado ao recapeamento urbano, a Patrulha Mecanizada, destinada à zona rural, os programas habitacionais, como as casas a custo zero, além dos programas sociais, do Aluguel Social e da regularização fundiária, com a escrituração de imóveis por meio da Agehab.

Os municípios também contam com diversas possibilidades de apoio financeiro para a construção de quadras esportivas, reformas de ginásios, implantação de feiras cobertas para pequenos produtores, construção de sedes de conselhos tutelares.
O Estado tem todos esses benefícios para oferecer aos municípios, e é justamente isso que os prefeitos e a população desejam: a continuidade desses programas. Não tenho dúvidas de que serão ainda mais ampliados.
Daniel assumiu um governo financeiramente saudável e tem condições reais de fazer a diferença. É jovem, trabalhador e tem disposição para continuar entregando resultados.
Ton Paulo – O senhor já é um prefeito reeleito e, portanto, não pode concorrer novamente ao cargo no próximo pleito municipal. Quais são seus planos políticos?
Na verdade, pretendo ser candidato em 2030. Ainda não sei exatamente a qual cargo, mas meu nome estará à disposição para uma disputa em nível estadual. Vamos avaliar o cenário, entender qual posição melhor se encaixa no nosso projeto e trabalhar para isso.
É um sonho de médio e longo prazo. Sabemos que existem etapas a serem cumpridas, que há uma fila e toda uma conjuntura política a ser considerada. Mas estou preparado e, se fosse necessário, estaria pronto a qualquer momento para assumir esse desafio.
Sei que daria conta do recado, mas também tenho humildade para reconhecer o momento e a hora certos. Teremos quatro anos para trabalhar na construção de uma candidatura em 2030 e avaliar em qual posição a população goiana entenderá que posso contribuir mais.
Ton Paulo – Em julho deste ano, a K-Tech, fabricante coreana de armas, assinou um memorando de intenções para se instalar em Goiás. Apuramos que Hidrolândia estava entre os municípios cotados para receber a fábrica. Houve alguma conversa nesse sentido?
Eles estão analisando galpões e áreas já construídas em Hidrolândia. Na verdade, o crescimento do município foi tão expressivo que, como mencionei anteriormente, a iniciativa privada está investindo na construção de novos galpões para locação a empresas que hoje optam por essa modalidade.
Nos procuraram, mas ainda não há nenhum martelo batido.
Ton Paulo – Quais investimentos do Estado estão previstos para Hidrolândia nesta nova gestão de Daniel Vilela?
O governador Daniel Vilela vai dar continuidade às obras de pavimentação asfáltica das rodovias estaduais. A GO-219, no trecho entre Hidrolândia e Bela Vista, está 90% concluída. Ele deve finalizar essa obra até dezembro e inaugurá-la. Já o outro trecho, entre Hidrolândia e Aragoiânia, deverá ser concluído no próximo ano.
Com a conclusão da GO-219, teremos condições de formar o Anel Sul Metropolitano, planejado por nós há alguns anos. A Prefeitura de Hidrolândia custeou esses projetos e estabeleceu uma parceria com o Estado, que abraçou a proposta de revolucionar e melhorar o trânsito da Região Metropolitana.
Além disso, Daniel já iniciou, em seu governo, as obras de pavimentação da GO-490, entre Hidrolândia e Aparecida de Goiânia, nas proximidades do Aeroporto Antares.

Estamos criando uma nova alternativa de ligação entre o norte e o sul, paralela à BR-153, que também passa próximo a condomínios fechados e frigoríficos da região de Hidrolândia. Essa rodovia permitirá acesso direto a Aparecida de Goiânia, na região próxima à Universidade Federal e ao Aeroporto Antares.
Ton Paulo – Goiânia e Hidrolândia são municípios muito próximos e mantêm uma relação de parceria. Apuramos que o prefeito Sandro Mabel já iniciou algumas articulações visando à reeleição em 2028. Como o senhor, também na condição de prefeito, avalia a gestão dele em Goiânia? Acredita que chegará fortalecido à disputa de 2028?
Com certeza. Sandro é empreendedor e gestor. Goiânia está mais bem cuidada, organizada e bonita. As ruas já estão sendo recapeadas, e as obras estruturantes começam a aparecer. Isso é importante.
Não tenho dúvidas de que ele será competitivo, considerando sua trajetória política e tudo o que já realizou. Sandro conseguiu colocar a casa em ordem e acredito que chegará muito forte à disputa pela reeleição.
Ton Paulo – Mas também se cogita que ele possa mudar de partido. Há comentários de que o União Brasil, atual partido de Sandro Mabel, poderia apoiar Bruno Peixoto na disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2028.
Tudo pode acontecer, porque isso é natural na política. E não teremos apenas esses dois candidatos.
Pode ter certeza de que Goiânia terá diversos candidatos. Agora, quanto maior o número de candidaturas, mais favorecida fica a máquina administrativa. Isso é fato.
Ton Paulo – Ainda sobre a eleição do último dia 4 de outubro, Daniel Vilela foi reeleito, Wilder Morais obteve menos de 800 mil votos e Marconi Perillo terminou em quarto lugar, atrás de Luis Cesar Bueno. Era esperado um desempenho tão fraco dos adversários do governador reeleito?
Sempre tivemos a expectativa de vencer no primeiro turno. Afirmei isso diversas vezes antes da eleição. Sabíamos que os municípios seriam os principais responsáveis por esse resultado.
Daniel venceu em 238 municípios e perdeu em apenas oito. Isso representa quase 97% dos municípios do Estado. Era uma situação da qual não tinha dúvidas. Durante nossas visitas, percebíamos a vontade da população de manter um governo que entrega resultados e estende a mão aos municípios.
Esse resultado aconteceu naturalmente. Entendo que um dos adversários enfrenta um desgaste político acumulado ao longo dos anos, depois de vários mandatos. E, a cada nova candidatura, seu desempenho eleitoral vem diminuindo.
Isso é um fato demonstrado pelas urnas. É uma situação que fortaleceu ainda mais o grupo político de Daniel e Gracinha. E Gracinha Caiado poderá ajudar muito o governador no Senado Federal.
Mesmo com o efeito bolsonarista que houve na eleição, Caiado conseguiu eleger seu sucessor no primeiro turno e também sua esposa. Goiás apresentou uma realidade completamente diferente da observada em praticamente todos os estados do país
Em relação à coordenação da campanha de Gracinha, sempre defendi uma ideia e dizia: “Quem vai garantir a eleição de Gracinha é o municipalismo”. Embora tenha ficado em segundo lugar na votação geral, ela venceu em um número maior de municípios.
Gracinha venceu em 146 dos 246 municípios goianos. Além disso, ficou em segundo lugar em dezenas de outras cidades.
Isso comprovou o DNA municipalista dos governos Caiado e Daniel e se refletiu diretamente na eleição dela. Em vários estados, candidatos do PL venceram independentemente de serem conhecidos ou não, porque os eleitores votaram em toda a chapa do partido.
Em Goiás, a população soube separar as candidaturas e reconhecer o trabalho de Gracinha e de Daniel. Foi um resultado que fugiu à tendência observada em outros estados.
Acredito muito que ela fará a diferença no Senado Federal. Tive a oportunidade de acompanhá-la intensamente nos últimos 120 dias, praticamente todos os dias. Pudemos perceber a importância desse contato direto com os municípios e como os prefeitos foram decisivos para sua eleição.


