Lançado nesta sexta-feira, o aplicativo que causa polêmica no Brasil inteiro é mais barato que o táxi convencional. E mais confortável, claro

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Reportagem  Foto:  Marcelo Gouveia/Jornal Opção

Conforto, praticidade e economia. O aplicativo Uber é, de fato, tudo aquilo que promete. Famoso em outras capitais, a plataforma deu início às atividades em Goiânia a partir das 14 horas desta sexta-feira (29/1) e o Jornal Opção testou o serviço já durante a sua primeira hora de atividade.

Disponível na Apple Store e Google Play, o aplicativo gratuito é prático e bastante intuitivo. Após o download, basta realizar seu cadastro e inserir os dados de um cartão de crédito. A partir de então, você já é usuário do sistema Uber e pode solicitar o veículo no endereço em que estiver.

Às 14h27, a reportagem pediu um carro na sede do Jornal Opção, no Setor Marista, com destino ao Goiânia Shopping, no Setor Bueno. Na tela do celular, o aplicativo mostrou os carros que estavam na vizinhança naquele momento e nos direcionou para o mais próximo. Na página, antes de confirmar o pedido, também foi possível verificar a estimativa de preço da corrida: R$ 6. Em menos de dois minutos, o veículo, um Ford Focus preto, parava em frente ao prédio do jornal.

“Diário de bordo”

De longe, ao reconhecer o passageiro, o motorista, um jovem de 27 anos trajando uma camisa social e calça jeans escura, desceu do veículo e abriu a porta traseira para a reportagem. Já dentro do veículo, o homem pediu para que a equipe ficasse à vontade e ofereceu uma garrafa de água, que estava no banco traseiro do carro.

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Após confirmar o destino, o motorista reclamou de problemas no aplicativo quanto à identificação das rotas e disse que estava tendo que colocar os endereços de forma manual. Éramos os terceiros passageiros do dia e o jovem se mostrou impressionado com a demanda do serviço há poucos minutos do início das atividades do Uber na capital. “Não esperava isso tudo. Acho que nem eles mesmo estavam esperando essa quantidade de passageiros, tanto que estão nos oferecendo um bônus de R$ 40 por hora, caso não faturemos esse valor”, contou.

Para começar a operar, o motorista lembra que foram necessários três dias de treinamento, além da documentação. “Do carro, seguro e IPVA em dia. Do motorista, antecedente criminal e a CNH com a informação de exercício de função remunerada.” O jovem conta que estava na fila de espera do aplicativo há seis meses e foi informado da vinda do UberX a Goiânia via email há cerca de três semanas.

Diferentemente do Uber Black, versão original do aplicativo disponível em outras capitais, o UberX é mais flexível e permite veículos com até oito anos de fabricação e quaisquer cores. Na versão Black, apenas sedãs pretos com até três anos de uso são admitidos. “Mas o UberBlack vai chegar ainda este ano em Goiânia”, adiantou o jovem.

Ao contrário do que ocorre em outras capitais, o motorista avalia que não há tanta resistência por parte dos taxistas ao aplicativo concorrente. “Não vi nenhum taxista revoltado”, pontuou, já perto do destino final, onde optou por não parar próximo aos pontos de táxi para evitar possíveis tensões.

Mas não é a relutância dos taxistas o maior medo do jovem condutor. O índice de criminalidade da capital goiana é o que mais preocupa o motorista, que, por medo, resolveu que irá rodar apenas durante o dia.

Antes de descer no destino final, a reportagem perguntou ao condutor como era cobrado o valor da corrida. “Por quilometragem e por tempo”, respondeu de pronto. Questionado se as tarifas eram as mesmas das demais capitais que oferecem o serviço, o jovem informou que os valores, na verdade, variam de cidade para cidade. “Os preços de Goiânia são o menor do País: 17 centavos por minuto e R$ 1,17 por quilômetro rodado.”

Parados em frente ao Goiânia Shopping, na Avenida T-15, o condutor novamente desceu do veículo e abriu a porta traseira para a equipe de reportagem. Na tela do celular, além do pedido de avaliação do motorista, constava a confirmação do valor da corrida: R$ 6, o mesmo preço estimado pela plataforma anteriormente — e metade do que seria cobrado em uma corrida de táxi com o mesmo trajeto.

 Fotos: Reprodução
Fotos: Reprodução

Retorno

Passados alguns minutos, a reportagem solicitou novamente o aplicativo para o trajeto de retorno à sede do Jornal Opção. Mais uma vez, o serviço funcionou normalmente e poucos minutos depois um Corolla da cor prata parou na Avenida T-10. Debaixo de chuva, desta vez, o motorista preferiu ficar dentro do carro ao receber a equipe. Éramos os primeiros clientes do senhor de meia idade, bastante simpático, também vestido com uma camisa social e calça jeans. Meio confuso quanto ao melhor trajeto para a corrida, o condutor disse que estava indo para casa quando recebeu a chamada. “Eu iria passar em casa primeiro, mas não podemos recusar chamada. Por isso, nem tem água aí atrás”, contou, já se desculpando.

Natural de Fortaleza, o homem mora em Goiânia há oito anos e trabalha em uma multinacional do ramo de alimentos. “Por enquanto, o Uber será para complementar minha renda. Vou rodar apenas aos finais de semana e à noite.” Ele conta que descobriu o aplicativo pelo cunhado, que é motorista do Uber em São Paulo. O cearense se mostrou bastante inseguro quanto à lucratividade da nova empreitada, por isso tem tido cautela.

Reprodução
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“Vou dar uma sentida primeira, fazer as contas e ver se vale a pena. Somos 30% mais baratos do que os táxis e ainda temos uma taxa a pagar para a empresa. Mas, meu cunhado, em São Paulo, está super bem. Ele morava em Minas e trabalhava no ramo de informática. Quando se mudou para a capital paulista não conseguiu emprego e rolou o Uber. Hoje, ele ganha em uma semana o que ganhava em um mês, quando trabalhava com computadores”, relatou.

O condutor destaca a rigidez da plataforma como o grande diferencial do Uber. Ele conta que a avaliação dos passageiros aos motoristas deve estar na média de 4,7 pontos, de um total de 5. Por isso, frisa ele, é feito de tudo para agradar a clientela. Não puxa assunto com quem não quer, nem liga o rádio sem autorização do passageiro. É uma lista de especificidades que deve ser seguida à risca pelo motorista, sob pena de ser excluído da plataforma definitivamente.

“Se você esquecer qualquer objeto no carro, somos obrigados a entregá-lo a você, sem cobrar nada a mais por isso. Se o motorista fizer qualquer coisa inadequada, dar uma cantada ou te desrespeitar, ele será abolido do sistema automaticamente”, contou, após confundir o caminho e entrar na rua errada — um equívoco que causaria um acréscimo de R$ 2 do valor cobrado anteriormente no trajeto de ida.

Após poucos minutos, o carro parava na porta da sede do Jornal Opção. Mais uma vez, o condutor, diferente do primeiro, não abriu a porta traseira para a equipe. Despediu-se de dentro do carro mesmo e partiu para a próxima corrida.