O “Washington Post” ficou famoso porque, com o caso Watergate, levou o presidente Richard Nixon à renúncia, em 1974. Agora, o jornal americano se debruça sobre um caso recente do Brasil, que envolve o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

De acordo com a reportagem (publicada na quarta-feira, 23), de Elizabeth Dwoskin e Gabriela Sá Pessoa, divulgada no Brasil pelo “Estadão”, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, participou de uma reunião com Donald Trump e ouviu do ex-presidente que os Bolsonaro e aliados deveriam contestar o resultado da eleição deste ano. O encontro se deu no Mar-a-Lago — um resort de luxo do líder republicano, em Palm Beach, na Flórida — longo depois da vitória de Lula da Silva para presidente da República, no dia 30 de outubro.

“As conversas acompanham debates que vêm se desenrolando em Brasília, onde apoiadores de Bolsonaro discutem próximos passos para seu movimento populista conservador″, explicita a matéria do “Post”. “Esse movimento enfrenta momento similar àquele pelo qual passou a direita americana logo após a derrota de Trump, na tentativa de se sustentar depois da queda de seu carismático porta-voz.”

Steve Banon também conversou com Eduardo Bolsonaro, no Arizona. O ex-estrategista de Donald Trump admite que falou com o parlamentar sobre “a força das manifestações pró-Bolsonaro e potenciais desafios sobre o resultado eleitoral do Brasil”.

O “Post” assinala que “aliados e conselheiros” de Bolsonaro “estão divididos sobre os ‘próximos passos’. Enquanto alguns recomendam a contestação imediata do resultado, outros querem ‘uma guerra global em defesa da liberdade de expressão’”.

Ex-assessor de Donald Trump, Jason Miller admitiu que almoçou com Eduardo Bolsonaro, também na Flórida, e conversaram sobre “a censura digital e a liberdade de expressão”.

Segundo o “Post”, Donald Trump é um dos principais conselheiros de Bolsonaro a respeito dos “próximos passos”.

Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, procurados, decidiram não falar ao “Post”.

O jornal postula que a tentativa de contestar o resultado do segundo turno na Justiça “provavelmente falhará, mas pode encorajar apoiadores”. “Post” enfatiza que aliados de Bolsonaro permanecem nas ruas, à espera de uma ordem do presidente. O bom senso indica que a ordem deveria ser: “Voltem para casa e aceitem o resultado da eleição”. A questão é que o bolsonarismo teme que, se disser isto, acabará por perder o apoio de milhões de eleitores radicalizados.

“Manifestantes já foram fotografados segurando cartazes nos quais se lia #BrazilianSpring e #BrazilWasStolen, em inglês, mostrando grande ligação entre os movimentos de direita nos dois países”, diz a reportagem do ‘Post’, referindo-se aos “termos ‘primavera brasileira’ e ‘o Brasil foi roubado’ que aparecem em protestos de rua e publicações de redes sociais de apoiadores de Jair Bolsonaro desde a derrota eleitoral para Lula”.