A informação foi repassada por um dos advogados de defesa do médium Alex Neder; declaração foi dada durante depoimento ao MP-GO 

Durante o depoimento concedido ao Ministério Público de Goiás, nesta quarta-feira, 26, o médium João de Deus disse que sofre de disfunção erétil por causa do câncer que teve no estômago, ao contestar parte dos relatos das supostas vítimas de assédio sexual.

De acordo com um dos advogados que fazem sua defesa, Alex Neder, ele teve que falar isso, que é da intimidade dele, para demonstrar que nem se ele quisesse ele teria possibilidade de fazer isso (os abusos). Fisiologicamente, de saúde, ele não tem condição”, afirmou o defensor.

Ao ser indagado sobre há quanto tempo o médium teria esse problema, Neder disse que “faz uns anos”. “Seu João teve uma cirurgia no estômago por causa de um câncer e depois disso teve um problema dessa natureza, já faz alguns anos, pelo que ele disse, isso pode inviabilizar alguns relatos”, destaca o advogado ao revelar que as denúncia antes à cirurgia foram negadas pelo médium.

Ainda para Alex Neder, João de Deus está abatido, mas não chegou a passar mal. “É natural porque nunca foi preso, está longe da família justamente nesta época, de fim de ano, de Natal. Ele tem uma filha de três anos e, outra coisa, tem raízes onde ele mora em Abadiânia, há 40 anos”, falou o advogado.

Sobre o pedido de habeas corpus, protocolado no Supremo Tribunal Federal, o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida, conhecido como Kakay, disse ao Jornal Opção que trabalha na contestação de três pontos principais do decreto de prisão do médium: o clamor público, a denúncia de uma possível ameaça além da movimentação de R$ 35 milhões na conta de João.

“É obvio que qualquer país que tem um Poder Judiciário independente não pode aceitar o argumento do clamor público, porque se não, bastaria ter a televisão contra uma pessoa para ela ser presa. O segundo ponto seria uma possível ameaça, que na verdade não é relatada ameaça. Outro argumento, no meu ponto de vista, foi uma indução do juiz ao erro, ao dizer que teria movimentado R$ 35 milhões como se ele quisesse fugir. Ele tirou uma quantia “x” infinitamente menor para poder fazer jus a um pagamento específico que ele tinha que fazer”, rebateu.

Até o momento, 600 contatos chegaram ao MP-GO e 260 foram identificadas como vítimas. Destas, 78 já prestaram depoimentos ao Ministério Público.