JBS é alvo de nova operação da Polícia Federal que investiga empréstimos junto ao BNDES

Segundo investigação, a concessão à empresa teria tramitado em tempo recorde após contrato de consultoria ligada a um político

JBS já é investigada pela Operação da Greenfield, também da PF | Foto: Reprodução

Matéria alterada às 11h44 para acréscimo da defesa da JBS

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (12/5) a Operação Bullish, que investiga possíveis fraudes e irregularidades em aportes concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através da subsidiária BNDESPar a uma grande empresa de proteína animal.

Segundo publicou o jornal Folha de S. Paulo, a grande empresa alvo da operação é a JBS, pertencente à J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista, também investigada no âmbito da Operação Greenfield, da Polícia Federal.

Segundo nota divulgada nesta sexta (12), os subsídios realizados a partir de junho de 2007, tinham como objetivo a aquisição de empresas também do ramo de frigoríficos no valor total de R$ 8,1 bilhões.

De acordo com a PF, as operações de desembolso dos recursos públicos tiveram tramitação recorde e teriam sido realizadas após a contratação de empresa de consultoria ligada a um parlamentar à época.

Além disso, essas transações foram executadas sem a exigência de garantias e com a dispensa indevida de prêmio contratualmente previsto, gerando um prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

Os agentes cumprem 37 Mandados de Condução Coercitiva, sendo 30 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo, 20 de Mandados de Busca e Apreensão, 14 no Rio de Janeiro e 6 em São Paulo, além de medidas de indisponibilidade de bens de pessoas físicas e jurídicas que participam direta ou indiretamente da composição acionária do grupo empresarial investigado, até o limite do prejuízo gerado ao erário.

Também por decisão judicial, os controladores do grupo estão proibidos de promover qualquer alteração societária na empresa investigada e de se ausentar do país sem autorização judicial prévia. A Polícia Federal monitora cinco dos investigados que se encontram em viagem ao exterior.

A PF esclarece que o nome da operação é devido a tendência de valorização gerada entre os operadores do mercado financeiro em relação aos papéis da empresa, “para a qual os aportes da subsidiária BNDESPar foram imprescindíveis”, diz nota.

Resposta

O grupo alimentício JBS informou, por meio de nota, que não foi favorecido em qualquer operação financeira envolvendo a BNDESPar, subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Operação Bullish, da Polícia Federal, investiga irregularidades em aportes de R$ 8,1 bilhões da BNDESPar à JBS, de 2007 a 2011.

Segundo a JBS, a empresa “sempre pautou o seu relacionamento com bancos públicos e privados de maneira profissional e transparente. Todo o investimento do BNDES na Companhia foi feito por meio da BNDESPar, seu braço de participações, obedecendo as regras de mercado e dentro de todas as formalidades. Esses investimentos ocorreram sob o crivo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e em consonância com a legislação vigente. Não houve favor algum à empresa.”

Ainda de acordo com a nota, “todos os atos societários advindos dos investimentos da BNDESPar foram praticados de acordo com a legislação do mercado de capitais brasileiro, são públicos e estão disponíveis nos sites da CVM e de relações com investidores da JBS.”

Por meio de nota, o BNDES informou que está buscando informações sobre a operação da PF e dando apoio aos seus empregados. “O BNDES colabora com as autoridades na apuração. A presidente Maria Silvia Bastos Marques está em compromisso em Brasília, retornando ao banco nas próximas horas. O BNDES fará novo pronunciamento até o fim do dia”, diz o texto.

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jorge almada

Vejam foram R$ 1,2 Bilhões pelo ralo. Sugados pela CORRUPÇÃO. Além de gerar empregos no exterior pela compras de companhias.
Entre 2006 e 2014, a JBS recebeu R$ 8,1 bilhões para comprar companhias no exterior e se tornar uma gigante no setor de carnes. Em troca, o banco se tornou sócio da empresa. A PF relata também que essas transações foram executadas sem a exigência de garantias e geraram um prejuízo de cerca de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.
A JBS é a segunda empresa no Brasil que mais deve a PREVIDÊNCIA SOCIAL, são R$ 1,8 bilhões.