Jânio Darrot quer mudança estrutural na CDTC por melhoria no transporte

Prefeito de Trindade falou com exclusividade ao Jornal Opção sobre propostas de renovação na Câmara Deliberativa e, ainda, projetos para cidade onde é gestor

Prefeito de Trindade, Jânio Darrot (PSDB) | Foto: Larissa Quixabeira / Jornal Opção

O prefeito de Trindade e presidente da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC), Jânio Darrot (PSDB), falou com exclusividade ao Jornal Opção sobre a reestruturação da CDTC e os próximos passos neste fim de mandato à frente da prefeitura da cidade.

Jânio, que tem sido cauteloso com a convocação da próxima reunião da CDTC, disse que seu intuito é provocar uma mudança estrutural na câmara. Para ele, o modelo que está colocado não está certo e a solução para o transporte é um maior envolvimento por parte do Estado e das prefeituras por uma nova via.

“Existe um duplo comando do transporte da região metropolitana, a parte executiva é feita pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), que é a empresa que tem o poder de fiscalização, possui técnicos, pode fazer cobrança e punir quando necessário, já a CDTC é um colegiado, uma instituição, que é deliberativa, ela se reúne só quando é convocada”, explicou.

A ideia de Jânio é fundir as duas instâncias, de forma que a segunda não seja apenas um órgão que se reúne esporadicamente, mas que participe ativamente das obrigações cumpridas pela primeira. “O objetivo é fazer uma fusão entre as duas para termos uma CMTC forte, e um conselho que possa fazer uma fiscalização efetiva do transporte, verificar se estão realmente cumprindo o que foi acordado”, disse.

Segundo ele, o adiamento da reunião marcada para esta terça-feira, 26, se deu justamente pelo amadurecimento dessa ideia. “Eu estava disposto a apresentar um esboço dessa proposta, mas avaliei e só vou convocar uma próxima reunião quando o documento estiver finalizado”, disse.

Com essa renovação, o prefeito pretende formar um grupo que fiscalize de maneira incisiva e frequente (não apenas uma vez ao ano) se todas as cláusulas acordadas com a empresa responsável foram cumpridas antes que qualquer ajuste seja feito. “Queremos fazer uma agência reguladora e não apenas uma câmara deliberativa que sirva de palanque político”, frisou.

“As pessoas querem um transporte de qualidade”

Para Jânio, esse novo conselho tem que se preocupar com demandas que vão além do valor da tarifa. “As pessoas querem um transporte de qualidade, querem mais ônibus, menor tempo de espera e maior segurança”, explicou. Ele também disse que é preciso avaliar as obrigações sobre cada aspecto e torná-las paritárias entre os poderes.

“Temos que ver o que é obrigação da empresa, o que é responsabilidade das prefeituras e do Estado, e colocar tudo isso no papel, e estou à frente, juntamente, da elaboração de um novo modelo de acompanhamento que inclua esse tipo de detalhamento, para uma mais eficiente gestão do sistema”, disse.

Além disso, a principal vertente dessa reformulação é tornar mais incisiva a cobrança por melhorias. “Se essas empresas não cumprirem as exigências, elas irão perder o direito ao reajuste no ano subsequente, então a ideia é queremos antes termos todo esse plano de ação de melhorias pré-estabelecidas e acordadas”, disse.

“Chegou a hora de colocar metas, de criar uma agência de regulação, de avaliar se os ônibus estão atendendo bem, exigir que as linhas sejam melhor dimensionadas, tudo isso tem que ser trabalhado, temos que ter um modelo novo que dê credibilidade pras pessoas”, completou.

Na visão do prefeito, a CDTC perdeu a confiança das pessoas e é por esse motivo que concorda com a proposta do deputado estadual Thiago Albernaz (SD), que fez um Projeto de Lei de extinção da câmara. Jânio, no entanto, acredita que essa é uma boa saída para que haja renovação.

“Eu defendo isso desde o primeiro dia em que assumi a CDTC. A questão do transporte não é uma questão que tem que ser discutida no âmbito da política, é uma questão técnica, tem que ser uma agência e não palanque, o povo está cansado de promessas vazia”, reiterou.

Composição

Mesmo com essa ideia de reestruturação, Jânio não descarta participação do Estado. “Não concordo com a saída do executivo estadual, tampouco das prefeituras, principalmente agora com esse novo modelo que se funde com a CMTC, quem criou a Região Metropolitana foi o Estado, e ele tem responsabilidade sobre o transporte também”, disse.

O governador Ronaldo Caiado (DEM), no entanto, tem deixado claro sua intenção de deixar a comissão e, ainda, de privatizar a Metrobus, que é gerida pelo Governo de Goiás atualmente. Sobre essa última medida, Jânio, que é prefeito de uma das cidades que compõem a linha do Eixo Anhanguera, disse que é favorável.

“É uma coisa inevitável, com o Estado fora da operação da Metrobus o serviço vai ficar mais ágil, porque poderemos cobrar mais da nova concessão e exigir melhorias, afinal haverá uma disputa. Esse é um ponto, inclusive, que quero levantar na próxima reunião da CDTC”, disse.

Mas, ainda sobre a participação do Estado na agência que fiscalizará o transporte coletivo, Jânio reiterou seu posicionamento à favor da presença do Executivo estadual. “Afinal não poderá cada município licitar sua linha de transporte, a licitação tem que ser uma só para toda a região, temos que ter o controle da região como todo”, reforçou.

A prefeitura

Na cidade, apesar da diferença partidária, Jânio diz que a relação com o Estado tem sido de parceria. “Temos boa vontade com tudo que vem para o bem do cidadão trindadense e temos visto um interesse de cooperação por parte do governo”, disse.

Sobre a possibilidade de a reforma da previdência, a que Caiado pretende aderir de imediato, ser aprovada, Jânio reconhece que os efeitos irão respingar nos municípios e reconhece como algo positivo “desde que ela não prejudique quem ganha menos”. “Queremos que o Brasil faça as reformas que precisam ser feitas para desenvolver o país e os municípios”, disse.

Sobre o programa Goiás na Frente, o prefeito disse que está esperando a decisão do Governo sobre os rumos. Segundo ele, o contrato de Trindade era de R$ 5 bilhões para recapeamento asfáltico. “Nós já realizamos 40% das obras e prestamos contas dos R$ 2 bi que recebemos, agora estou esperando chegar os outros R$ 3 bi para finalizar”, explicou.

De acordo com Darrot, no caso de o Governo encerrar o programa o município terá que buscar recursos para terminar a obra. “Essa é uma iniciativa muito importante, porque quanto mais velho asfalto fica mais difícil fica a manutenção, espero poder entregar tudo o que era previsto quando o convênio foi assinado, até agora temos 30% da cidade recapeada”, detalhou.

Para a educação, o prefeito tem na agenda a inauguração de seis escolas municipais, ampliação de salas de aulas, além de já estar realizando a construção de outros quatro Centros Municipais de Ensino Infantil (Cmeis). Além disso, está previsto, para esses pouco menos de dois anos para o fim do mandato, como a inauguração de duas praças no setor São Bernardo e realização de saneamento no Setor Laguna 2.

Na saúde, Jânio deu destaque à presença de atendimento odontológico em 60% das unidades básicas. “Temos serviços de laboratórios, realizamos exames, raio-x e a população de Trindade se sente bem”, afirmou. “Este é meu segundo mandato e temos muitos projetos em andamento”, finalizou.

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