Janaina Paschoal: novo AI-5 é “absolutamente inapropriado”, mas “passível de se conviver” em uma democracia

Em entrevista à TV Cultura, deputada estadual por São Paulo disse que autoridades reagiram de forma imediata e necessária contra afirmações de Eduardo Bolsonaro

Para professora de Direito da USP e deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), família Bolsonaro trata a ditadura militar com saudosismo e não esconde a forma como tenta ressignificar o golpe de 1964| Foto: Reprodução/TV Cultura

Em sua passagem pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, como entrevistada na noite de segunda-feira, 4, a deputada estadual por São Paulo e professora de Direito da USP Janaina Paschoal (PSL) teve começar sua participação com resposta para a seguinte pergunta feita pela apresentadora, a jornalista Daniela Lima: “Como a sra. viu o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmar em uma entrevista que um ‘novo AI-5’ poderia ser a resposta a uma eventual radicalização da esquerda? Em sala de aula, para os seus alunos, como é que a sra. caracterizaria essa fala?”.

E Janaina Paschoal foi direta ao afirmar que trata-se de “uma fala absolutamente inapropriada, descabida”. Mas minimizou o impacto da declaração ao dizer que seria “passível de se conviver com em uma verdadeira democracia”. “Não concordo com a fala. Entendo que a reação imediata que houve de várias pessoas, várias autoridades, foi muito positiva, porque é mesmo necessário deixar claro que nenhum tipo de movimento autoritário será admitido no País.”

Só que a resposta veio com um complemento em forma de comparação. “Mas vejo uma fala tão ruim como a fala dos políticos esquerdistas que dizem que a Venezuela, por exemplo, não é uma ditadura sanguinária como efetivamente é. Até passa de ditadura, passa a ser um totalitarismo”, disse Janaina.

Para a deputada estadual por São Paulo, a democracia “é saber conviver com esse tipo de pensamento absolutamente contrário ao nosso pensamento”. “Por isso que, muito embora tenha criticado o deputado, também não acho que estejam corretas as iniciativas que objetivam, por exemplo, tirar o mandato dele. Não vejo fundamento para isso.”

Saudosismo da ditadura

Entre a crítica e a minimização do problema contido na declaração de Eduardo Bolsonaro, Janaina diz acreditar que a família Bolsonaro pensa que a ditadura militar, com seus atos institucionais, inclusive o AI-5, foi um bom governo para o País. “Eu acho que eles acreditam nisso mesmo. Porque eles nunca mentiram que pensam dessa forma. Durante a campanha, inclusive. Em quaisquer entrevistas. Mas o País tem instituições fortes o suficiente para que fique claro que não tem espaço para isso”, observou a parlamentar.

E reforçou: “Mas que eles pensam muito com esse saudosismo de 64… Eu até tenho insistido muito na própria Assembleia. Porque parte da bancada do PSL é uma bancada saudosista com relação a 64, é uma bancada que faz uma releitura de 64. Não raras vezes, os embates são cômicos na Assembleia, porque é um grupo dizendo que Chavez [falecido] e Maduro não são o que são e que a ditadura não foi ditadura. E às vezes eu subo e falo “olha, gente, houve uma Lei de Anistia, então vamos rumar para o futuro”.

Gravidade minimizada

Janaina minimiza a declaração de Eduardo ao afirmar que não acha que o deputado federal “tenha o desejo de fazer nada nesse sentido”. “Porque é absolutamente inviável, absolutamente inconstitucional”, disse. A professora de Direito da USP volta a enfatizar que os Bolsonaro “têm uma visão de que a ditadura foi algo positivo”. “E de que muitas vezes para conseguir reformas é necessário ter um pouco de força.”

Ao fim da primeira resposta, a parlamentar volta a expor o que vê nos posicionamentos do presidente e de seus filhos: “Se eu dissesse aqui para ti que “olha, não, acho que eles não pensam assim”, eu estaria indo contra as evidências”.

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