Janaina Paschoal diz que Bolsonaro cometeu “crime contra a saúde pública” e tem de sair da presidência

Deputada estadual por São Paulo defendeu na Alesp que o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), “que é treinado para a defesa”, deve “conduzir a nação”

Durante o pequeno expediente de hoje no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL) disse que se houver um colapso no sistema de saúde paulista, o governador João Doria (PSDB) deve perder o cargo por ter “rido” da situação na Assembleia na semana passada.

Mas o tom foi mais duro ao citar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Cotada para ser a candidata a vice-presidente pelo PSL na chapa do chefe do Executivo nacional, Janaina, ao citar a responsabilidade de Doria pela população de São Paulo, afirmou que, no caso do presidente da República, “é ainda mais grave”. Janaina acusou o ato de Bolsonaro de “homicídio doloso”. “Esse senhor tem de sair da Presidência da República. Deixa o [vice-presidente Hamilton] Mourão (PRTB), que entende de defesa.”

“Ele [Bolsonaro] não só não está tomando as medidas de contenção – para não ser injusta, o ministro da Saúde [Luiz Henrique Mandetta] está -, mas não só deixa de apoiar essas medidas, como estimula uma manifestação, uma aglomeração, no meio da crise estando ele próprio de quarentena.”

Quarentena da comitiva

A deputada por São Paulo lembrou que Bolsonaro está de quarentena “porque toda comitiva [que foi aos Estados Unidos na semana passada] está contaminada”. O presidente será submetido nesta semana a um novo exame, uma contraprova do resultado negativo informado pelo próprio Jair Bolsonaro na sexta-feira, 13, em suas contas nas redes sociais.

Janaina Paschoal criticou o fato de o presidente da República ter deixado a quarentena e ir às ruas de Brasília cumprimentar as pessoas que foram para a porta do Palácio do Planalto. “Que país é esse? Que país é esse?”, questionou a parlamentar do PSL, ex-partido de Bolsonaro.

E continuou: “As autoridades têm de ter responsabilidade. E não adianta dizer que é só a direita não porque o PT fez uma reunião de aniversário aqui [Alesp] na sexta-feira passada e eu ouvi discurso, que estavam fazendo alarde com o coronavírus só para justificar que os atos pró-Bolsonaro seriam vazios”.

A parlamentar afirmou que não falava da direita ou da esquerda, mas “de um atraso que nos segura, um atraso que nos entristece”. “Nós temos a chance de prevenir. O povo brasileiro é marcado pela defesa. Se estudarmos as Forças Armadas brasileiras, é uma história de defesa. Não é uma história de ataque”, declarou.

“Guerra”

Janaina disse que estamos em uma guerra, invadidos por um inimigo invisível. “Nos cabe tomar todas as medidas de defesa possíveis, imagináveis e disponíveis. E tentar buscar aquelas que não estão disponíveis. […] Não podemos correr o risco de ficar de mãos atadas e olhar para trás, daqui 15 dias, e saber que as pessoas estão morrendo sem que precisassem chegar a esse ponto”, alertou a deputada.

Para a deputada, a omissão no caso do novo coronavírus “é homicídio doloso”. “Quando as autoridades têm o poder e o dever de tomar providências para evitar um resultado danoso e assim não procedem, elas respondem por esse resultado. Isso é homicídio doloso.”

A parlamentar disse que o “homicídio doloso” será atribuído ao governador de São Paulo e “principalmente ao presidente da República”, porque o que ele fez ontem é inadmissível, é injustificável, é indefensável”. Janaina Paschoal definiu a atitude de Bolsonaro como “crime contra a saúde pública”.

“Desrespeitou a ordem do seu ministro da Saúde. Tem gente pedindo para o Mandetta sair. Não façam isso. Mandetta está trabalhando bem”, defendeu Janaina a gestão do titular do Ministério da Saúde. A deputada afirmou que é preciso manter os bons profissionais nos cargos estratégicos.

Sair da Presidência da República 

“Esse sr. tem de sair da Presidência da República. Deixa o Mourão, que entende de defesa. O nosso país está entrando em uma guerra contra um inimigo invisível. Deixa o Mourão, que é treinado para a defesa, conduzir a nação.” Para Janaina, “não tem mais justificativa”.

E disparou: “Como um homem que está possivelmente infectado vai para o meio da multidão?  Como um homem faz uma live na quinta e diz para não ter protestos, vai participar destes mesmos protestos e manda as deputadas, que são paus-mandados dele, chamar o povo para a rua?”.

“Eu me arrependi do meu voto”, declarou Janaina Paschoal. E repetiu, ao demonstrar indignação na tribuna do plenário da Alesp, não entender como Bolsonaro “vai lá, potencialmente contaminando as pessoas, pegando nas mãos, beijando”. “Ele está brincando?”, indagou.

Mourão presidente

Não parou por aí: “Ele [Bolsonaro] acha que pode tudo? As autoridades têm de se unir e pedir para ele se afastar”. “Nós não temos tempo para um processo de impeachment. Nós estamos sendo invadidos por um inimigo invisível. Precisamos de pessoas capazes, competentes, de conduzir a nação. Quero crer que o Mourão possa fazer esse trabalho por nós”, encerrou Janaina.

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