Iris: ícone político e o legado de orgulho para os goianos

A trajetória – Vereador, deputado estadual, ministro, prefeito de Goiânia e governador de Goiás

Os goianos hoje se despedem de Iris Rezende, o maior ícone político que Goiás possui. Seu legado político/administrativo se confunde com a história de Goiânia e do Estado. 

Um resumo da trajetória de Iris Rezende

  • Nasceu em Cristianópolis em 1933 e mudou-se para Goiânia em 1949.
  • Decidiu ingressar na política por conta de sua experiência no movimento estudantil.
  • Começou sua carreira sendo vereador de Goiânia e deputado estadual em Goiás.
  • Foi eleito prefeito em 1965, e teve seu mandato cassado pelos militares.
  • Aposentou-se da política no final de 2020 ao concluir seu mandato como prefeito de Goiânia.

Iris Rezende Machado é filho de Cristianópolis, cidade do interior de Goiás. O político goiano nasceu em 22 de dezembro de 1933. Segundo filho de cinco irmãos. Seus pais, Filostro Machado Carneiro e Genoveva Resende, eram um casal humilde.

A história conta que quando Iris nasceu, seu pai trabalhava fabricando tijolos e telhas, mas, com o tempo, ele juntou dinheiro suficiente para comprar terras e construir a própria fazenda. Surgia, assim, a Fazenda Canastra, onde Iris passou grande parte de sua infância e adolescência e onde ele trabalhou. Segundo ele mesmo relatou, sua rotina na fazenda começava ainda de madrugada.

No ano de 49, seus pais decidiram mudar-se para Goiânia. Eles repetiram o movimento de milhões de brasileiros que, nesse período, abandonaram o campo para se estabelecer nas cidades. Em Goiânia, a família de Iris procurou investir em alguns negócios e na educação dos filhos. Por conta disso, a Fazenda Canastra foi vendida. Em Goiânia, sua família comprou uma casa no bairro Campinas. Assim, ele deu início aos seus estudos, sendo matriculado em duas escolas: Escola Técnica de Goiânia e Colégio Liceu.

Trajetória política

Político nato, a carreira política de Íris Rezende começou antes mesmo de sua primeira candidatura, quando já com aspirações de liderança, militava no movimento estudantil. Aos 22, foi presidente do Grêmio Literário Castro Alves, da Escola Técnica de Campinas, em Goiânia, instituição em que ingressou em 1950. 

Nas eleições de 1958, filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), foi candidato a vereador em Goiânia, quando foi eleito ao seu primeiro mandato, aos 26 anos, e finalmente pôde dar início a sua longa história na política brasileira.

Durante seu período na Câmara Municipal da capital goiana, ocupou a presidência durante um ano (1960-1961). Permaneceu vereador até o fim do mandato, que acabou em 1962, ano em que foi eleito deputado estadual (1963-1967) pelo Partido Social Democrático (PSD) e assumiu a liderança do governo Mauro Borges.

Durante a quinta legislatura da Assembleia, especificamente entre os anos de 1964 e 1965, foi presidente da Casa. Em janeiro de 1965, Íris chega a presidir a Assembleia na eleição indireta do Marechal Emílio Ribas Júnior a Governador de Goiás. 

Sua alta popularidade permitiu com que, antes mesmo do fim de seu mandato como deputado estadual, conseguisse se eleger prefeito de Goiânia, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em 1965, ao concorrer com o ex-governador José Ludovico. Sua transferência ao MDB se deu pela extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional Nº 2 (AI-2), que fixou o Movimento Democrático Brasileiro e o Arena, que representava os militares. 

Durante seu mandato, o primeiro na chefia do Executivo municipal, iniciou a prática de mutirões – que, ao decorrer de sua trajetória, tornou sua marca. No último ano de sua gestão, no entanto, acabou tendo seu mandato cassado e direitos políticos suspensos por dez anos, por parte da Junta Militar que se mantinha no comando do país durante aquele período. 

Foi somente a partir da redemocratização, mais precisamente em 1979, que Íris teve seus direitos políticos restabelecidos. Já em 1980, ingressou no partido sucessor ao MDB, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sendo eleito a governador de Goiás nas primeiras eleições diretas, em 1982. Seu primeiro mandato (1983-1986) como governador também foi marcado pelo crescimento do agronegócio e por sua prática popular de mutirões. Caso de repercussão mundial, a Vila Mutirão, que nasceu da construção de mil casas populares em um único dia, foi o ápice dessas ações. 

Foi ministro da Agricultura entre 1986 e 1990, durante o governo de José Sarney, e foi ministro da Justiça entre 1997 e 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Paralelamente a esses cargos, Iris continuou como uma figura influente na política goiana e foi eleito governador de Goiás pela segunda vez, em 1990. Esteve no exercício dessa função entre 1991 e 1994.

Em 1994, foi eleito senador por Goiás com uma votação expressiva. Em 1998 e 2002, sofreu duas derrotas políticas, pois não conseguiu eleger-se para os cargos de governador e senador, respectivamente. Os últimos anos da sua carreira política tiveram mais projeção a nível municipal. Ele foi eleito prefeito de Goiânia em 2004, reeleito em 2008 e eleito para um novo mandato em 2016.

Em 2020, decidiu não se reeleger prefeito de Goiânia e aposentou-se da política aos 87 anos. Do ponto de vista pessoal, Iris casou-se com Iris Araújo e, juntos, tiveram três filhos: Cristiano, Ana Paula e Adriana.

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