Iris garante que decisão de não se candidatar à prefeitura é “irreversível”

Em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (6/7), peemedebista afirma que refletiu muito antes de se posicionar publicamente

Alexandre ParrodeLarissa Quixabeira

Ex-prefeito e então principal nome do PMDB para a sucessão em Goiânia, Iris Rezende garantiu que encerrou mesmo sua carreira política.

Em coletiva de imprensa, o decano peemedebista reiterou que deu sua contribuição como homem público ao Estado de Goiás e que não irá mais disputar eleições. Inclusive, nem sequer participará de processos eleitorais. “Se declaro publicamente que encerro minha jornada, não posso ter a petulância de ficar querendo dar ordens, direcionar ou administrar a política do meu partido”, disse em entrevista coletiva.

Líder nas pesquisas de intenção de voto para a prefeitura de Goiânia, Iris garantiu que sua decisão é “irreversível”.

“Desde que começaram a cogitar meu nome como candidato a prefeito, eu comecei a meditar. De forma que essa atitude não foi tomada nem ontem, nem antes de ontem […] Eu disse que desde as eleições de 2014, não me candidataria mais […] Resumindo, é irreversível”, disse.

Veja o vídeo:

E agora?

Ainda em coletiva, Iris Rezende contou o que pretende fazer, agora que anunciou seu afastamento da vida política. “Acho que agora, com 82 anos, tenho o direito de curtir mais minha família, meu amigos. Vou continuar aqui, em meu escritório, recebendo as pessoas, meus amigos e companheiros, com um pão de queijo, um café, um bom bate-papo. Nessa fase, me acho no direito de aproveitar mais a vida”.

Sobre os rumos do PMDB em Goiânia, o decano se ateve apenas a responder que “tudo depende das nossas lideranças e da própria população”. Ele completa reafirmando que agora as decisões políticas ficam a cargo das lideranças mais jovens do partido. “Tomei essa atitude entendendo que temos que abrir espaço para as novas gerações, então que essas novas gerações tenham a mesma competência, o mesmo espírito público e o mesmo entusiasmo que eu tive”.

Em tom de despedida, Iris Rezende fez uma breve avaliação de seu legado político. “Saio da política com a consciência tranquila. Comecei bem jovem, então tomado de ideal, entusiasmo e vigor. Disputei minha primeira eleição em 1958 então acho que pouca gente neste Estado militou por tanto tempo quanto eu e sinto que cumpri minha tarefa. Acredito que meu legado é de que o poder não é instrumento de passatempo, de realização de interesses pessoais. É um instrumento sagrado que deve ser usado para servir”.

“Goiânia é uma cidade extraordinária que tem um eleitor exigente e ninguém deve mais a essa cidade do que eu. Muitas pessoas me questionam dizendo que Goiânia estava na expectativa para a minha candidatura. A minha resposta é que Goiânia vai entender”.

Novo nome

Para o vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano, a falta de um candidato do PMDB nas eleições de Goiânia seria um “desequilíbrio para o processo democrático. “Hoje o PMDB é oposição tanto ao governo municipal quanto ao governo estadual. A maioria dos pré-candidatos apresentados são aliados do governador Marconi Perillo (PSDB). Então, acredito que, pela importância histórica do PMDB, a falta de um candidato do partido em Goiânia desequilibra o processo democrático no sentido de que a população perde o direito de ter a opção de um candidato verdadeiramente de oposição”.

Quando questionado sobre a possibilidade de que o PMDB apoie a candidatura de outro partido, Mariano garantiu que, “neste momento, não se descarta nenhuma possibilidade”. “Em política, tem-se que conversar com todos os partidos que estiverem dispostos a fazer oposição. O que não podemos deixar é de participar do processo eleitoral”.

No início da manhã, o presidente do PMDB metropolitano, Bruno Peixoto, afirmou que o partido pode apoiar uma chapa encabeçada por outra sigla, mas também apresentou peemedebistas que podem substituir Iris em possível candidatura para Goiânia. “O PMDB apresentará nos próximos dias um nome para a disputa à prefeitura. Mas as portas para o diálogo com outros partidos, inclusive para composição, manterão-se abertas. Ou seja, o partido poderá lançar um novo nome ou poderá apoiar outro. Tomaremos essa decisão em conjunto”.

O vereador do PDT, Paulinho Graus, declaradamente apoiador da candidatura de Iris Rezende, também esteve no escritório do decano na manhã desta quarta-feira (6/7). Ao Jornal Opção, o vereador disse que as conversas agora são no sentido de formar uma frente de oposição. “Agora começamos tudo do zero. O partido vai se reunir, conversar e não temos condições de dizer ainda como o PDT vai caminhar. O que é certo é que faremos uma frente de oposição ao governo municipal e estadual, porque sabemos que o que está aí não é o que o povo quer”.

Carta

O ex-governador de Goiás Iris Rezende (PMDB) anunciou, por meio de carta à imprensa, que não será candidato a prefeito de Goiânia em 2016.

Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto e ter sido muito procurado por aliados, Iris afirma que decidiu encerrar sua trajetória como homem público em 2014 — quando foi derrotado pela terceira vez por Marconi Perillo (PSDB) na disputa pelo governo de Goiás.

Aos 82 anos, o ex-vereador, ex-prefeito, ex-deputado, ex-governador e ex-ministro concluiu, após “refletir muito nos últimos meses”, que realmente deveria finalizar sua caminhada política.

No texto, ele relembra sua trajetória política no Estado e se diz muito grato à população de Goiânia, que o elegeu por três vezes prefeito. “Mantenho comigo o mesmo sentimento expresso pelo Apóstolo Paulo, no capítulo 4, da segunda carta a Timóteo, em que ele disse: ‘Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé’”, escreveu.

 

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