A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) publicou nota técnica em que expressa preocupação com os valores previstos para Goiás no processo de renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), administrada pela VLI Logística. O acordo firmado pelo governo federal prevê R$ 30 bilhões em investimentos e outorgas para os próximos 30 anos, sendo R$ 12 bilhões destinados a Minas Gerais e apenas R$ 2,06 bilhões ao trecho goiano.

Para a FIEG, o montante reservado a Goiás é considerado “irrisório” diante da necessidade de modernização e expansão da malha ferroviária, especialmente porque o estado é altamente dependente do modal no transporte de grãos, farelo e fertilizantes. Somente em 2022, a FCA movimentou 1,89 milhão de toneladas em Goiás, das quais 85,7% tiveram origem no próprio estado.

Um dos pontos críticos apontados pela entidade é a geometria da malha ferroviária, que limita a eficiência operacional. Atualmente, os trens circulam em Goiás com velocidade média de apenas 15 km/h, número bem abaixo do potencial esperado. Além disso, interferências urbanas ao longo do traçado continuam sem solução, o que agrava atrasos e custos logísticos.

A FCA conecta Goiás a polos estratégicos como Catalão e Anápolis e integra o corredor de escoamento para a Baixada Santista. A expectativa é que os investimentos no eixo que liga Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e São Paulo possam elevar em até 80% o fluxo de cargas. Contudo, a baixa destinação ao estado pode comprometer a capacidade da ferrovia de atender à crescente demanda industrial e agroindustrial goiana.

A federação lembra ainda que a Ferrovia Norte-Sul, no trecho entre Rio Verde e São Simão, já movimenta cerca de 5,5 milhões de toneladas anuais e se integra à FCA, o que reforça a necessidade de obras estruturantes para consolidar Goiás como hub logístico regional.

Em 2024, os investimentos federais em infraestrutura de transportes em Goiás somaram R$ 677,6 milhões, um aumento de 58% em relação a 2022. Além disso, o projeto “Rota Verde” prevê R$ 7 bilhões em aportes, ampliando a competitividade do Centro-Oeste.

Ainda assim, a FIEG defende maior articulação do estado com o governo federal e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para garantir que os recursos destinados a Goiás sejam aplicados em trechos críticos e em integração multimodal, sobretudo com o Porto Seco Centro-Oeste de Anápolis, considerado estratégico para reduzir custos e ampliar a eficiência logística.

Leia também

Conheça as novas ferrovias que vão consolidar Goiás como polo logístico do Brasil