Investigadores detalham como funcionava esquema de corrupção na Saneago

Análises de processos licitatórios da empresa dos anos de 2013 e 2014 comprovam o desvio de pelos menos R$ 4,5 milhões mas valor do rombo pode ser bem maior

Representante regional da CGU, Valmir Gomes Dias e procurador da república Mario Lucio de Avelar, superintendente Umberto Ramo Rodrigues e delegado responsável pela investigação

Representante regional da CGU, Valmir Gomes Dias, procurador da república Mario Lucio de Avelar, superintendente Umberto Ramo Rodrigues e delegado responsável pela investigação, Rodrigo Teixeira em entrevista coletiva sobre a Operação Decantação | Foto: Alexandre Parrode / Jornal Opção

O esquema de corrupção instalado na empresa de Saneamento de Goiás, que desencadeou uma operação com 120 mandados judiciais deflagrada pela Polícia Federal, causou um rombo comprovado de R$ 4,5 milhões aos cofres da Saneago, mas esse valor pode ser muito maior.

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (24/8), a força-tarefa de investigação, composta por agentes do Ministério Público Federal e do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, esclareceu que os contratos de licitações e de repasses do governo federal ainda não foram completamente analisados e as investigações continuam, com novas evidências de depoimentos colhidos na operação desta quarta-feira (24/8).

“As investigações são dos anos de 2013 e 2014, mas contratos que foram analisados datam do ano de 2007. É evidente que uma organização criminosa desse porte, que tem controle de uma empresa da importância da Saneago, não surge de um dia para o outro”, disse o procurador da República Mário Lúcio de Avelar, representante do Ministério Público Federal.

Ele detalhou que o esquema funcionava de maneira “clássica”, no que diz respeito à atuação do que chamou de organizações criminosas. “Temos diversos setores da Saneago, inclusive diretorias e presidência, que atuavam em conjunto com empresas particulares, principalmente empreiteiras, que pagavam propina e distribuíam recursos em troca da obtenção de contratos com a estatal”, explicou o delegado.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Teixeira, “é preciso aprofundar mais a análise de todos os contratos para saber a real dimensão do rombo que a empresa sofreu”.

O trabalho de investigação teve início em 2013, com a apuração de indícios de irregularidades no processo de licitação do sistema Corumbá IV, com a denúncia de sobrepreço na licitação aprovada. Outro levantamento realizado em 2015 mapeou os recursos repassados à empresa pela União entre 2014 e 2015,  num total de R$ 1,2 bilhão.

Desse montante, a Controladoria-Geral da União fiscalizou pouco mais de R$ 180 milhões e identificou prejuízos de mais de R$ 11 milhões, destes R$ 4,5 milhões já comprovados e outros R$ 7 milhões de potenciais desvios que ainda podem ser evitados.

“Em razão de contratos, recontratações amigáveis sem qualquer justificativa, nas quais a Saneago ficava no prejuízo, contratos que já tinham sido superfaturados, muitas vezes com sobrepreço nos contratos, execuções pela metade ou não feitas, todos esses desequilíbrios e desarranjos podem ter causado prejuízo muito maior”, disse Diego Teixeira. Parte dos recursos teriam sido repassados para partidos políticos na campanha eleitoral de 2014.

Cerca de 300 policiais federais cumpriram 120 mandados judiciais, sendo 11 de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 21 de condução coercitiva e 67 de busca e apreensão na sede de empresas envolvidas e de um partido político, além de residências e outros endereços relacionados aos investigados.

Entre os presos na manhã desta quarta-feira (24/8) estão o presidente do PSDB em Goiás, Afrêni Gonçalves e o presidente da Saneago José Taveira Rocha, suspeitos de envolvimento no esquema. Servidores e funcionários da empresa que foram presos já estão afastados de seus cargos. Também foram requeridos quebra de sigilos fiscal e bancários e agora a investigação espera analisar o material recolhido e avançar na identificação da conduta dos envolvidos.

Participação do governador

Questionado sobre a participação do governador Marconi Perillo (PSDB) no esquema descoberto na Saneago, o procurador da república Mario Lucio de Avelar negou qualquer relação do tucano.

“Não existe mandado contra o governador até porque ele não é investigado. Em razão do cargo que ocupa, tem foro privilegiado, e não temos notícia de participação ou envolvimento dele”, arrematou.

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walter

nao tem sentido esta reportagem. Ela esta com a data de 28/03/2019 e no final esta tratando o Marconi como governador e que tem foro prilivegiado
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Mayara Carvalho

A reportagem é do dia 24 de agosto de 2016