Internet não se cala diante de caso de estupro coletivo

Movimentos feministas e de direitos humanos protestam contra a cultura do estupro, depois de caso de adolescente violentada por 30 homens no Rio de Janeiro

estupro

O estupro coletivo de uma jovem de 16 anos no Rio de Janeiro levou a um levante contra a cultura de estupro que ganhou força pelas redes sociais nesta quinta-feira (26/5). O que começou com coleivos feministas logo ganhou adeptos das mais diferentes posições políticas, a maioria delas, mulheres.

A polícia civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro investigam o caso da adolescente que foi estuprada por mais de 30 homens e que gerou revolta depois que o vídeo do crime foi divulgado pelas redes sociais. Uma internauta chamou atenção para o fato de que a culpa do estupro nunca é da vítima. Outras também chamaram atenção para o desrespeito da viralização do vídeo.

Centenas de usuários do Facebook mudaram sua foto de perfil para acrescentar os dizeres “EU LUTO PELO FIM DA CULTURA DE ESTUPRO”, em solidariedade à vítima. (Mude aqui sua foto)

O Ministério Público do Rio de Janeiro recebeu cerca de 800 denúncias em relação ao caso e agora pede que se manifestem agora apenas quem tiver novas informações que acrescentem à investigação, como identificação dos envolvidos, endereços ou novas provas do fato.

A ONU Mulheres publicou uma nota oficial em solidariedade às vítimas de estupro coletivo. Além do caso no Rio de Janeiro, uma jovem de 17 anos foi estuprada por quatro adolescentes em Bom Jesus, sul do Piauí, na madrugada da última sexta-feira (20/5).  A organização também pede à sociedade brasileira “tolerância zero” a todas as formas de violência contra as mulheres e a sua banalização.

A nota, assinada pela representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, observa que os dois casos “bárbaros” se assemelham pelo fato de que as duas adolescentes teriam sido atraídas pelos algozes em tramas premeditadas e por terem sido violentamente atacadas num contexto de uso de substâncias com álcool e drogas.

“Como crime hediondo, o estupro e suas consequências não podem ser tolerados nem justificados sob pena do comprometimento da saúde física e emocional das mulheres, as quais devem dispor de todas as condições para evitar a extensão do sofrimento das violências perpetradas. Deste modo, urge o pleno atendimento da Lei 12.845/2013 de atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual, com profilaxia de gravidez e antirretrovirais, em consonância com normativas internacionais a exemplo da Declaração sobre a Eliminação das Nações Unidas sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres”, diz a publicação.

A presidente Dilma Rousseff (PT) utilizou sua conta no Twitter para prestar solidariedade à vítima do Rio de Janeiro e classificou o crime praticado contra ela com “barbárie”.

Em Goiânia, um protesto está sendo organizado para o próximo domingo, no Parque Lago das Rosas, contra a cultura do estupro e em repúdio ao caso da garota de 16 anos que foi violentada por dezenas de homens. “Ficamos todas machucadas a cada mulher agredida, violentada, exposta e humilhada! Não foram 30 homens contra uma jovem, foram 30 contra todas nós! Todas estamos sujeitas enquanto as vítimas continuarem a ser culpabilizadas, enquanto o estupro for “justificado”, enquanto os homens acharem que isso não é problema deles”, diz o evento no facebook. Criado na tarde desta quinta-feira, o evento no Facebook tinha a confirmação de presença de 400 pessoas até a publicação da matéria.

As hashtags #QueroUmDiaSemEstupro #EuLutoPeloFimDaCulturaDoEstupro e #EstuproNuncaMais reuniu milhares de internautas revoltados com a violência contra a mulher. Outras mulheres compartilharam suas próprias experiências e traumas relacionados à cultura do estupro.

 



 

 

 


 

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Letícia de Souza

Enquanto isso, nos bastidores, “homens” com h minusculuzinho mesmo, vêm com leis que fazem de nós, mulheres, AS CRIMINOSAS, por abortarem um filho fruto de algo brutal como isso. É o fim dos tempos!!!! http://caiotargino.jusbrasil.com.br/artigos/245908698/de-autoria-de-cunha-projeto-que-dificulta-aborto-em-caso-de-estupro-e-aprovado