Integrante da Comissão da Verdade de Goiânia repudia fala de Bolsonaro

‘Extrapolou a questão ideológica e tornou-se uma questão de insanidade’, afirma Laurenice Noleto

Laurenice Noleto

Foto: Reprodução

Para a diretora do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, Laurenice Noleto, que integrou a Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, o presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) mostra sua “insanidade” ao questionar os trabalhos da comissão. “Ditadura nunca mais! O presidente diz uma barbaridade atrás da outra, isso extrapolou a questão ideológica e se tornou uma questão de insanidade”, assinala.

A jornalista explica que a Comissão da Verdade atende a uma norma internacional de Direitos Humanos e que, aqui no Brasil, foi estabelecida após 30 anos. “A comissão deveria ter chegado muito antes, assim não teríamos tido um vácuo tão grande. Esse período acabou criando uma geração que desconhece a nossa própria história, uma geração de ignorantes que exaltam torturadores”, explica.

Laurenice também pontua que a comissão conseguiu resgatar parte da história da ditadura no Brasil, enquanto outra parte foi omitida, destruída e queimada, destaca a jornalista ao sugerir que Jair Bolsonaro aponte a verdade ao invés de “falar besteiras”. De acordo com ela, o atual momento vivido pelo País é “uma verdadeira barbárie”, um total desrespeito a todos que viveram os “horrores” da ditadura no Brasil.

“Essa fala sobre o pai do presidente da OAB e sobre a Comissão da Verdade são de uma banalidade e de uma insanidade incalculável. Não há o que discutir, chega a um ponto que não merece crédito. O presidente da República não se dá ao respeito, não se comporta da maneira que o cargo exige”, reage Noleto.

Ela aponta a necessidade de condenação aos torturadores, mesmo que a maioria já tenha morrido, como forma de evitar esse tipo de equívoco. “Assim, talvez, deixaríamos de ver um presidente enaltecendo torturadores, o que é uma vergonha nacional”, concluiu Laurenice.

Noleto foi integrante da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, integrando uma rede nacional de comissões da verdade criada pela Federação Nacional dos jornalistas – Fenaj.

Mais cedo

Na manhã desta terça-feira, 30, o presidente Jair Bolsonaro contestou o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que apura violações dos direitos humanos no período da ditadura militar. Ao retomar a polêmica declaração sobre a morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, Bolsonaro insistiu que não existem documentos que atrelem a morte Felipe às forças do Estado.

Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro foi questionado sobre a fala dele sobre Santa Cruz ter sido morto por um “justiçamento da esquerda” contrariando os documentos da Comissão da Verdade. Ele interrompeu a pergunta feito pelo Globo para questionar: “E você acredita em Comissão da Verdade. Qual foi a composição da comissão da verdade? Foram sete pessoas indicadas por quem? Pela Dilma?”, questionou.

Indagado sobre a existência de documentos que atestem que o pai do presidente da OAB foi morto pela esquerda, Bolsonaro disse que, “não existem documentos de matou, não matou, isso aí é balela”.

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