Pesquisa do Instituto está sendo realizada desde 2009; estudo deve ser finalizado até 2024

O estado de Goiás é o segundo a registrar mais mortes por dengue em todo país. De acordo com dados da Secretaria de Saúde (SES-GO), já são 35 mil casos registrados em 2022 e seis mortes pela doença nos três primeiros meses do ano. Enquanto isso, a busca por uma vacina para combater o vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti segue movimentando a comunidade científica. Desta forma, um avanço na pesquisa do Instituto Butantan por uma vacina contra a dengue pode ser a solução para retirar o estado de Goiás desse patamar.

Até o momento, não existe de fato uma vacina eficiente para este vírus. No Brasil, há sim um imunizante para a dengue, porém, apenas no mercado privado e com restrições de uso. Assim, a pesquisa do Butantan, que ocorre desde 2009, pode ser uma forma de disponibilizar o imunizante para a população em geral. Só que, até o momento e mesmo com ensaios clínicos avançados, o imunizante ainda segue sem previsão para ser distribuído no país. 

A pesquisa usa a técnica de vírus atenuado contra dengue, isto é, utiliza vírus enfraquecidos que induzem a produção de anticorpos sem causar a doença e com poucas reações adversas. Sabe-se que o vírus da dengue existe em quatro tipos, com isso, a proposta é tornar este imunizante tetravalente, ou seja, para agir tanto na dengue 1, quando na 2, 3 e 4. Além de que pessoas com e sem contato prévio com o vírus também poderiam receber o imunizante. Desta forma, a tecnologia do vírus atenuado resultará em uma vacina de apenas uma dose. Este estudo é feito em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID), que cuida da atenuação do vírus. 

Os ensaios clínicos deste imunizante estão na fase três, e seguem assim até os dias atuais. De acordo com o Instituto, agora, está sendo feito o acompanhamento dos últimos voluntários incluídos nos testes, que ficaram cinco anos em observação. Com o final desta análise, significaria que o processo de desenvolvimento do imunizante já estaria em fase final. Sobre as reações relatadas pelos voluntários, foram apontadas dores de cabeça, fadiga, erupção cutânea e dor muscular, que são respostas consideradas leves.

A previsão é de que a pesquisa seja finalizada até 2024. Porém, uma data de quando a vacina estará disponível para o Programa Nacional de Imunizações (PNI) segue sem previsão e sem saber, de fato, se ela entrará no programa. Além disso, o Butantan analisa o escalonamento da vacina para que seja uma produção de laboratório a nível industrial. Agora, o estudo segue esperando o término da fase três, onde os dados serão analisados por uma comissão independente e só então o resultado dessa análise será submetido à aprovação da Anvisa.