Inspetor Galeno é homenageado pela Polícia Civil; veja fotos

Mesmo aposentado, profissional vai à Deic todos os dias e atua na parte de atendimento

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A Polícia Civil homenageou o inspetor Galeno Nicodemos Braga, que completa cem anos nesta sexta-feira (14/11), em café da manhã no Complexo de Delegacias da corporação, no Setor Cidade Jardim, em Goiânia.

Delegados, inspetores, escrivães e outras autoridades estiveram presentes no evento. O homenageado estava acompanhado da esposa, Clarinda Martins Neves, 78, e da filha única, Maria Galeana de Sousa, 63. Placas de condecoração de entidades representativas da Polícia Civil, como a Ugopoci e Sinpol, foram entregues a Galeno Braga. Na cerimônia, um selo com a imagem dele foi lançado pelos Correios, em lembrança ao seu centenário.

Em entrevista ao Jornal Opção Online, a delegada Adriana Ribeiro, titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), afirmou que é uma alegria poder referenciá-lo. “Mesmo aposentado, ele nos mostra o quanto é bom viver e que o trabalho do policial deve ser valorizado”, relatou ela, também organizadora da homenagem.

Já Waldir Soares, titular do 8º Distrito Policial de Goiânia, avaliou que a a história de vida de Galeno Braga é um exemplo a ser seguido. “Por onde eu passar, vou contar a história dele”, ressaltou.

Mesmo aposentado, Galeno Braga vai à Deic todos os dias e atua na parte de atendimento. Com mais de 70 anos de atividade policial, o inspetor começou a trabalhar em Caiapônia como delegado, nomeado pelo interventor do Estado, Pedro Ludovico Teixeira. Foi ainda um dos que fazia o policiamento interno do Palácio das Esmeraldas quando o governador Mauro Borges foi cassado em 1964 pelo governo federal, que interveio em Goiás. Na época, aviões do Exército deram rasantes na Praça Cívica. “Estava lá dentro, armado, com outros colegas, e não senti medo”, contou.

De acordo com o aniversariante, a “natureza de inspetor” o faz levantar de manhã, fazer exercícios, se arrumar e pegar ônibus do transporte coletivo para ir ao Complexo de Delegacias.

O inspetor avalia que atualmente existem mais bandidos, dos diversos tipos. Porém, não se vê mais os chamados pasteiros, que agia normalmente no interior do Estado. “Quando alguém da roça ia na cidade retirar dinheiro de um Banco, o pasteiro observava e ia atrás. Quando chegava a pessoa chegava ao destino final, em um local mais isolado e perto da fazenda, o bandido descia junto e roubava toda a quantia. Já prendi demais!”, pontua.

galeno filha

Filha Maria Galeana

A vida profissional de Galeno Braga é levada para dentro de casa. “Dá notícia de tudo”, informa a esposa, Clarinda Neves. A mulher diz que o companheiro é detalhista ao lavar louças e organizar a casa. Filha de outro casamento do inspetor, Maria Galeana mora em Brasília e é professora, lecionando em universidades da capital federal. “É interessante esse amor pelo trabalho, é uma herança. Tenho paixão pelo que faço. A dedicação herdei dele”, pontua.

A educadora ficou lotada na Secretaria de Educação do Distrito Federal até a aposentadoria por tempo de serviço, mas continuou. Ao chegar à idade máxima, fez o mesmo: dedicou seu tempo à escola. Maria Galeana ressalta a lucidez do pai e comenta que é difícil causar surpresa. “Ontem [quinta-feira], ele chegou chorando, sabia de toda a comemoração.”

Marcílio Costa trabalhou com Galeno Braga

Marcílio Costa trabalhou com Galeno Braga

Marcílio Costa foi prestigiar o homenageado. Ex-colega de trabalho de Galeno Braga na extinta Delegacia Estadual de Crimes Contra os Costumes, Jogos e Diversões Públicas, ele contou a reportagem que na década de 80 chegou a prestar socorro após o inspetor se sentir mal. “Os agentes estavam todos na rua e ele com batedeira e suador. Achei que iria morrer… Agora, está aí, completando cem anos”, relembrou, dando risadas.

Segundo Marcílio Costa, a presença diária do colega na Deic serve como um estímulo aos policiais em início de carreira.

Marlene Quintanilha era agente na época em que atuava com Galeno Braga, na mesma unidade, e está aposentada há seis anos. Disse sentir “ciúmes” ao ver outros colegas atuando. “Quando vejo uma batida, fico com vontade de estar junta”, relata.

Até hoje na ativa, Divina Maria Ribeiro investigou casos junto a Galeno Braga. “Era para eu ter aposentado há 12 anos. Mas venho todos e encontro com ele.”

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