Insatisfeitos, vereadores da base de Rogério Cruz apostam em reforma administrativa em breve

Vereadores acreditam que, apesar de ainda estar no início do mandato, a gestão do executivo se encontra engessada, e em alguns momentos, o prefeito atua mais como coadjuvante que como protagonista

Rogério Cruz (Republicanos), prefeito de Goiânia. | Foto: Prefeitura de Goiânia/reprodução

Mesmo há três meses na gestão, vereadores da Câmara Municipal de Goiânia não acreditam que Rogério Cruz (Republicanos) tenha uma base consolidada em seu governo. A previsão é que em breve ocorra uma reforma administrativa para que seja implementado o seu planejamento de gestão, não o idealizado pelo eleito Maguito Vilela (MDB).

O atual prefeito, ex-vice de Maguito, assumiu o cargo de liderança após o falecimento do emedebista, vítima da Covid-19. O que os vereadores da base consolidada pela coligação estabelecida com Maguito durante a corrida eleitoral sentem, é que não existe diálogo e alinhamento entre o Paço Municipal e a Câmara. Pastor Wilson (MDB) diz que se considera da base de Rogério, e o apoia fielmente, mas acredita que alguma hora essa conversa precisa acontecer.

“Sendo sincero, em nenhum momento ele me chamou para conversar, para dizer: quero que você faça parte do governo. Eu acho que já faço parte, tanto é que todos os projetos que ele mandou para a Câmara, eu votei a favor deles. Só que eu fiz a campanha dele e o Maguito Vilela do meu bolso, no primeiro e segundo turno, e até agora não peguei nada no Paço Municipal, então estou aguardando”, conta o pastor.

Para o vereador Paulo Henrique da Farmácia (PTC), essa reforma administrativa precisa ocorrer o quanto antes. “O executivo e o legislativo precisam andar em comunhão, se ele não construir uma base sólida dentro do parlamento, vai ter grande dificuldade em governar”, explica. Pastor Wilson, inclusive, acredita que até a próxima segunda-feira, 15, ou até, no máximo, daqui 15 dias, alguma mudança deve ocorrer.

Com todo esse cenário, os vereadores acreditam que, apesar de ainda estar no início do mandato, a gestão do executivo se encontra engessada, e em alguns momentos, o prefeito atua mais como coadjuvante que como protagonista.

Apesar das especulações acerca das mudanças, Edgar Duarte Careca (PMB) concorda: o mais urgente é o diálogo do chefe do Executivo com a base. “Desde a morte de Maguito, algo inesperado, o que aconteceu foi ficar dividido entre ele e o Daniel Vilela, filho do Maguito, que estão juntos, mas os vereadores se dividiram. O Rogério precisa alinhar com o Daniel e precisa conversar com os vereadores para que sua base se solidifique”, opina.

Suspensão de atividades como empecilho

Os parlamentares ainda acreditam que um dos grandes fatores que vêm atrasando essa comunicação entre o Paço Municipal e a Câmara é a pandemia e seus desdobramentos. Com as medidas restritivas, o funcionamento das atividades legislativas se mantém suspenso.

A esperança dos vereadores, entretanto, é que, com a flexibilização das medidas restritivas e com o retorno das atividades legislativas, esse diálogo logo aconteça, a base se consolide, e a gestão se coloque em andamento. “O prefeito é capacitado, ele vai fazer uma boa gestão, mas ele precisa de vereadores do lado dele, é questão de sobrevivência política”, conclui o pastor.

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