Inquérito investiga esquema de corrupção envolvendo atravessadores no SUS de Anápolis

Prefeito Roberto Naves procurou a equipe de inteligência da Polícia Militar para apurar irregularidades

Foto: divulgação

Após receber a denúncia de um possível esquema de corrupção envolvendo atravessadores que buscam facilidades para pacientes no sistema público de saúde de Anápolis, o prefeito Roberto Naves procurou a equipe de inteligência da Polícia Militar.

Segundo Naves, ele recebeu uma ligação de um denunciante revelando que um atravessador estaria cobrando R$ 10 mil para conseguir a liberação de um Stent pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já que o cardiologista indicou dois e o sistema estaria liberando apenas um. “Entrei em contato com o serviço de inteligência da Polícia Militar que descobriu que o atravessador havia mesmo pegado o dinheiro. No mesmo dia, também fui até a Polícia Federal para buscar orientações de como agir”, explica.

Depois disso, foi aberto um inquérito, que tende a ser o ponto de partida para desvendar fraudes de confecção de cartões Sistema Único de Saúde (SUS). Suposto caso atinge casas de apoio criadas para receber pacientes de outros municípios e deve ter uma forte rede de atravessadores. O fato ocorreu no último dia 19 e só revelado agora porque Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Civil estão investigando o caso.

Com 381 mil habitantes, Anápolis possui cadastrados, atualmente, mais que o dobro de cartões SUS – quase 800 mil. Isso porque existe forte suspeita de que atravessadores lucram vendendo facilidades ao conseguir consultas, exames, cirurgias pelo sistema de regulação. De quebra, muitos alugam casas, hospedam pessoas de outros municípios para que consigam comprovantes de endereços para a confecção do documento. A suspeita é que esse esquema se sustente há vários anos.

“Estamos controlando a regulação, compramos softwares e estamos em pleno sistema de informatização de toda a rede de saúde. É natural que essas pessoas que sempre ganharam dinheiro em cima de um esquema montado comecem a ter dificuldades”, diz o secretário municipal de Saúde, Lucas Leite.

Não está descartada a participação de servidores públicos em todo o esquema. Para Naves, agora é deixar que os órgãos competentes investiguem e, caso comprovado o crime, será aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Ele lembra que Anápolis pode receber pacientes de municípios pactuados, entretanto, o pagamento deve ser feito. Da forma como está, diz, o município com o segundo maior PIB do Estado fica estrangulado – mesmo gastando R$ 26 milhões por mês na saúde, valor muito maior que o preconizado pela legislação. “Estão forjando que são moradores de Anápolis e assim, deixamos de receber do município de origem do paciente”, esclarece.

Reestruturação

Roberto Naves lamenta a forma como pegou a Secretaria Municipal de Saúde. “O estoque de remédios de uma cidade de quase 400 mil habitantes eram feitos na ponta do lápis, literalmente”, disse.

De lá pra cá, tem investido pesado na modernização e no emprego de tecnologia. Foram adquiridos novos equipamentos e software que estão sendo implementados e que garantem a transparência de todas as informações que circulam em todas as esferas da rede de saúde pública – atenção básica, atenção especializada e urgência e emergência.

O sistema ainda prioriza o controle de abastecimento de medicamentos, regulação de consultas, exames e internações. “Peço a ajuda de quem quer o bem para Anápolis, porque com todo o sistema funcionando, dificulta a vida dos fraudadores e poderemos dar uma saúde muito mais digna para os anapolinos e pactuados”, ressalta.

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