Indústria goiana apresenta um dos menores recuos do país

Pela primeira vez em 8 anos, produção industrial cai em todos os 15 locais pesquisados. São Paulo registrou queda de 9,1% em março, em Goiás a produção caiu 2,8%

A Pesquisa Industrial Mensal Regional, divulgada nesta quarta-feira, 14, pelo IBGE, confirma que a pandemia de Covid-19 interferiu diretamente para a queda da atividade industrial do país na passagem de fevereiro para março. É a primeira vez em oito anos que todas as 15 localidades recuam.

O mais próximo desse resultado aconteceu em maio de 2018, com a greve dos caminhoneiros, que derrubou a produção industrial em 14 dos 15 locais.

“Os dados de março são efeitos diretos do isolamento social que afetou o processo de produção no Brasil”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Almeida. Ele lembra que, no formato antigo, com 14 locais, a única queda generalizada ocorreu em novembro de 2008, por consequência da crise financeira global.

Maior Recuo

Por concentrar mais de um terço (34%) da indústria nacional, São Paulo foi o local que mais influenciou para o resultado nacional de março (-9,1%), com queda de 5,4%. Duas atividades contribuíram fortemente para essa queda: veículos, um dos setores que mais atua no estado, e bebidas.

Também ajudaram a diminuir a média nacional os estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que apresentaram recuos de 20,1% e 17,9%, respectivamente. O Ceará, com -21,8%, foi o local que apresentou o maior recuo em termos absolutos, mas apenas o sétimo em termos de influência direta.

Também o Pará (-12,8%), o Amazonas (-11%) e toda a Região Nordeste (-9,3%) apresentaram recuos mais intensos do que a média nacional. Já Pernambuco (-7,2%), Espírito Santo (-6,2%), Bahia (-5,0%), Paraná (-4,9%), Mato Grosso (-4,1%), Goiás (-2,8%), Rio de Janeiro (-1,3%) e Minas Gerais (-1,2%) tiveram índices negativos abaixo da média do país.

Goiás

A indústria goiana caiu 2,8% em março, índice abaixo da média nacional. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, indústria goiana cai pela quarta vez seguida. O recuo foi puxado, principalmente, pela fabricação de veículos que caiu 22,4% e metalurgia, que registrou queda de 21,8%. Já a fabricação de produtos de minerais não-metálicos caiu 9,7%.

Os produtos que mais influenciaram para o resultado em cada setor foram automóveis com motor a gasolina, álcool ou bicombustível para a primeira, ouro em formas brutas para usos não monetários para a segunda e cimentos “Portland” para a terceira.

Por outro lado, as variações positivas foram observadas nas atividades de fabricação de outros produtos químicos (17,1%), sendo o quarto aumento consecutivo; seguida pela fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (8,5%), sendo o quinto aumento consecutivo; e a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (7,9%), sendo o terceiro aumento seguido.

Os aumentos foram influenciados, em grande parte, pela maior produção de adubos ou fertilizantes com fósforo e potássio para a primeira, latas de ferro e aço para embalagem de produtos diversos para a segunda e biodiesel para a terceira.

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