Índice de Covid-19 no esgoto de Goiânia é o maior desde agosto do ano passado, alerta UFG

A alta concentração de carga viral no esgoto de Goiânia não era identificada desde setembro de 2021. No entanto, a semana do Natal já apontou mudança de tendência na amostragem

Monitoramento realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) mostra que, após quatro meses de baixa concentração do vírus Sars-CoV-2 no esgoto de Goiânia, a carga viral voltou a subir, atingindo uma alta concentração na última semana. O estudo, realizado em conjunto com a Saneago, identificou que os índices correspondem aos que foram encontrados do dia 18 do mês de agosto de 2021. As amostras estão sendo coletadas desde maio do ano passado e pesquisadores projetam um alerta precoce a ser divulgado para as entidades de saúde.

A análise é realizada semanalmente e são coletadas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Doutor Hélio Seixo Brito, para onde são enviados 70% do esgoto gerado na capital. Em boletim da Rede Vírus-MCTI, é mostrado que há uma tendência de aumento da carga viral. As coletas semanais representam a contribuição de aproximadamente um milhão de pessoas.

A alta concentração de carga viral no esgoto de Goiânia não era identificada desde setembro de 2021. Isso ocorre após meses de queda na concentração do material genético do vírus no esgoto, que era identificado em níveis médios ou até mesmo inferiores ao limite de detecção. Para se ter ideia, em duas semanas dos meses de outubro e novembro e no início de dezembro o monitoramento não detectou carga viral no esgoto. No entanto, a semana do Natal já apontou mudança de tendência na amostragem.

“Identificamos um aumento significativo na semana do Natal.  E a primeira semana de janeiro já apontou a tendência de aumento, apesar de não ter atingido alta concentração do vírus. Isso muito provavelmente devido às chuvas intensas do período que diluíram o material de análise. Com a estiagem, a carga viral da segunda semana de janeiro já atingiu níveis elevados”, explica a professora da UFG e coordenadora do projeto, Gabriela Duarte. 

Em considerações gerais do documento, é afirmado que, a média móvel de casos clínicos reportados também vem sofrendo reduções gradativas. Porém, na última semana foi detectada concentração média de fragmentos do RNA viral no esgoto, na ordem de 105 cópias de RNA/L. “Nas semanas epidemiológicas de 30 a 49/2021, amostragens realizadas entre os dias 30 de julho e 08 de dezembro de 2021, foi detectada a presença de fragmentos do material genético do SARS-CoV-2. As concentrações detectadas variaram entre 106 e 109 cópias de RNA/L (faixas de média e alta concentração)”, aponta boletim.

Alerta

Atualmente, as pesquisadoras da UFG pretendem divulgar um Alerta Precoce para orientar os órgãos públicos em ações e na distribuição de recursos, incluindo estratégias de teste, rastreamento e preparação para o enfrentamento de surtos virais. A frequência de ocorrência de Covid-19, em uma comunidade, pode ser estimada pela detecção do RNA do vírus no esgoto, explica Gabriela.

“O monitoramento oferece uma importante ferramenta epidemiológica que sugere a necessidade urgente de medidas de controle sanitário para o enfrentamento da pandemia”. Os resultados do monitoramento da covid no esgoto em Goiânia são publicados em boletins semanais pela Rede Vírus-MCTI.

Concentração do RNA viral em janeiro, nos esgotos sanitários, é indicado como “Alta” em gráfico | Foto: Reprodução

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