Previsão é que Câmara dos Deputados vote nesta terça-feira (17) proposta que reorganiza sistema de cobrança de impostos no país. Parlamentares querem amenizar prejuízo de estados e municípios

Câmara votará nesta terça (17) reforma tributária. | Foto: Pedro França/Agência Senado.

Aline Carlêto,
Gabriela Macêdo
Gabriela Oliveira


O texto de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê reforma no sistema tributário brasileiro divide os deputados federais que representam o povo goiano. Enquanto uns esperam aprovação para alavancar a arrecadação de imposto, outros veem prejuízo para estados e municípios, além da possibilidade de aumentar a desigualdade social.

O deputado José Nelto (Pode) é enfático. “Eu não vou votar”, afirma o parlamentar. Para ele, a classe média será a parcela da população prejudicada com a reforma. Com isso, o fator da desigualdade social, que já é presente no país, pode ficar ainda mais evidente.

O parlamentar pede maior discussão com a sociedade acerca do tema. “Nesse momento, temos um país com pobreza. Famílias estão passando fome; não tem emprego, não tem moradia, falta medicamento, trabalho. Tem que olhar se os municípios e os estados não vão perder. A reforma tributária tem de ser bem discutida com a sociedade”, pontuou José Nelto.

Delegado Waldir (PSL) também olha para o lado dos entes federados. Em diálogo com os presidentes da Associação Goiana dos Municípios (AGM) e da Federação Goiana dos Municípios (FGM), o parlamentar buscar defender interesses destes menores. O governo terá dificuldade de aprová-la (reforma tributária). No modelo atual, não tem como eu votar favorável. A união dos municípios brasileiros tem um destaque. A minha orientação é conforme disser a AGM e a FGM, será em defesa dos munícipios goianos”, revelou o deputado.

Os estados e municípios calculam perda de R$ 16,5 bilhões. Francisco Jr (PSD) acredita que esta situação será discutida no decorrer da semana. “Temos de estar muito atentos, pois qualquer Reforma Tributária tem que acontecer no sentido de fomentar o desenvolvimento e aquecer a economia. É acima de tudo é preciso que ela faça justiça social”, pontuou o parlamentar.

Zé Mario (DEM), por outro lado, acredita que o setor agropecuário será prejudicado se a reforma for aprovada como se encontra. Por isso, o parlamentar propôs retirar o limite no desconto simplificado para produtores rurais. “Caso aprovado da maneira que se encontra, o projeto de lei terá o condão de ampliar a burocracia para o setor agropecuário e aumentar a carga tributária desta parcela de contribuintes”, afirmou.

O democrata afirma que a reforma reorganizará o processo tributário e o deixará mais simples e justo. “Pessoas que têm salário menor, pagarão menos impostos”, avaliou Zé Mário. Em contrapartida, José Nelto vê que isso transferirá a responsabilidade dos ricos para a classe média. “Essa reforma vai prejudicar a classe média, uma parcela da sociedade. Eles querem transferir de uma parte da sociedade para outra. Se for um voto para cobrar dos ricos, dos super ricos, dos bilionários, tem meu apoio favorável”, disse o deputado do Podemos.