Imunologista tira dúvidas sobre vacinas disponíveis contra Covid-19 no Brasil

Dra. Lorena de Castro Diniz, especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, detalha que ambas as vacinas se mostraram seguras e eficazes, mas é necessário que grande parcela da população se vacine

A vacinação contra a Covid-19 em Goiás já começou | Foto: Divulgação

Para tirar as principais dúvidas sobre a vacina de Oxford, desenvolvida pela empresa AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, e a CoronaVac, produzida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, o Jornal Opção conversou com a médica Dra. Lorena de Castro Diniz, especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

Entenda as principais diferenças entre os dois imunizantes que tiveram o uso emergencial autorizado pela Anvisa contra a Covid-19 e que serão disponibilizados no Brasil. A profissional também fala sobre o calendário vacinal, quando os vacinados estarão imunizados e previsão para o país atingir a chamada imunidade de rebanho.

Dra. Lorena de Castro Diniz, especialista da ASBAI.

Quais as diferenças entre as duas vacinas que tiveram uso emergencial aprovado no Brasil?

Existem algumas diferenças entre as vacinas  aprovadas pela Anvisa. A principal se dá na técnica de desenvolvimento desses imunizantes. A vacina de Oxford que será produzida pela Fiocruz tem como tecnologia de desenvolvimento o vetor viral. Ou seja, são vacinas que utilizam outro vírus pra introduzir os genes do coronavírus nas células do vacinado. Então, foi adicionado o gene da proteína do envoltório do vírus no adenovírus do chimpanzé e foi desenvolvida a vacina através desse antígeno.

A técnica de desenvolvimento da vacina do Butantan, a Coronavac, se dá pelo vírus inativado. É um vírus que é totalmente morto, que não pode se replicar e não consegue causar a doença no vacinado. Esse antígeno é inoculado através da vacina e nosso corpo será capaz de produzir anticorpos neutralizantes contra o coronavírus.

Ambas as vacinas se mostraram seguras e eficazes. A vacina de Oxford mostrou com uma eficácia um pouco maior do que a Coronavac e também tem a diferença de intervalo de dose. Ambas as vacinas vão ter que ter duas doses, com intervalos distintos.

Como se dá o calendário vacinal da Coronavac e da vacina de Oxford?

A vacina da AstraZeneca terá duas doses com intervalo de quatro a oito semanas. Já a Coronavac tem intervalo de 14 a 28 dias entre as duas doses. A maioria dos programas de imunização do país estão preconizando 14 dias. Ambas as vacinas são indicadas, conforme a bula, para pacientes acima de 18 anos, de acordo com os grupos prioritários.

Quanto tempo depois de tomar a vacina o cidadão estará realmente imunizado?

Os estudos de imunogenicidade, de quanto tempo o nosso organismo vai ser capaz de ter anticorpos neutralizantes, ou seja, de fornecer uma proteção eficaz ainda não foram totalmente conclusivos. O que a gente já sabe é que a proteção começa até 28 dias após a segunda dose da vacina aplicada.

Qual percentual da população precisa se vacinar parar garantirmos uma imunidade coletiva?

Para garantirmos a tão sonhada imunidade coletiva, onde a gente consegue interromper a circulação do coronavírus, vamos precisar ainda de uma grande parcela da população vacinada, já que parte da população não vai poder se vacinar, por exemplo, crianças, adolescentes com menos de dezoito anos e gestantes, por falta de estudos mais robustos.

Como a gente ainda não vai poder vacinar essa parcela da população, precisamos de um número maior de adultos vacinados para chegar em uma imunidade de rebanho. Chega a mais de 70%, 80% da população vacinada, em um cenário bem otimista já que 1/4 da população não poderá ainda ser vacinado por questões de estudos e número de doses disponíveis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.