Imunidade coletiva é para o 2º semestre “se der tudo certo”, alerta pesquisador

Nota técnica mostra que taxa de transmissão volta a crescer em Goiás. Respeito aos protocolos são essenciais para evitar possível segunda onda

Professor José Alexandre Felizola Diniz Filho | Foto: Ana Clara Diniz

*Por Pedro Hara e Lívia Barbosa

Em meio à discussão sobre o aumento no número de casos e óbitos em decorrência da Covid-19 em todo o Brasil, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, com a ocorrência de uma possível “2ª onda” em muitos estados brasileiros, a Universidade Federal de Goiás (UFG) divulgou a décima nota técnica do Grupo de Modelagem da Expansão da Covid-19 em Goiás.

Segundo o pesquisador José Alexandre Felizola Diniz Filho, que coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), é possível observar que há um padrão de crescimento a partir de abril, tendo alcançado o pico em agosto. Após a redução gradual de novos casos foi registrado um novo aumento a partir de novembro.

“É importante ressaltar que isso não é algo de Goiás e sim do Brasil todo. No sul e no sudeste está muito acelerado”, destaca o professor. Para Felizola, grande parte da população acredita que a vacina está quase disponível, e por isso, pode ter diminuído a vigilância e cuidados básicos como uso de máscara e distanciamento.  

Ele alerta que, ao contrário disso, a tendência é que o problema se estenda por muito tempo, devido a problemas de logística, dificuldades de aquisição, etc. “Se as pessoas relaxarem a partir de agora por causa da expectativa da vacina nós vamos ter muitos problemas. A imunidade coletiva é para o 2º semestre de 2021 se der tudo certo”, prospecta.

O professor esclarece que ao fazer essa ponderação não está diminuindo a conquista da ciência, “até porque isso foi fantástico, o que a ciência conseguiu em um ano”. Mas o pesquisador da UFG é cético quanto à distribuição das doses em solo brasileiro. “No Brasil isso vai ser muito confuso”, destaca.

Diante dessa realidade, Felizola defende que a população não se descuide dos protocolos. “Se a pessoa vai para um bar e começa a gritar, aí fica difícil. Infelizmente é isso que temos visto e é um problema no Brasil todo”, afirma o pesquisador.

Números

Ao comentar a décima nota técnica, Felizola explica sobre o novo crescimento no número de casos registrado a partir de novembro. “Na realidade o aumento já começou há algum tempo, só que estava mais difícil de detectar. Houve um apagão nos dados do Ministério da Saúde, um problema no E-SUS, então as informações começaram a ficar atrapalhadas. A gente está monitorando desde essa época, mas a gente não tinha confiança nos valores”, detalha.

Ainda de acordo com o professor, assim que começou a ficar mais claro que a taxa de infecção da Covid-19 voltou a crescer em Goiás, o grupo se reuniu com a Secretaria de Saúde de Goiás e com a de Goiânia. “O que a gente viu é o que estamos falando desde outubro, a taxa de infecção estava abaixo de 1,0, com tendência de desaceleração a partir do final de agosto.”

A partir do final de outubro e início de novembro, a taxa começa a subir e hoje está em 1,13. Vale esclarecer que quando o índice está acima de 1, significa que uma doença, qualquer que seja ela, está em ritmo acelerado de transmissão. Quando está abaixo, significa que o número médio de novas contaminações está caindo.

Segunda onda?

Sobre a avaliação do que pode ter provocado o aumento, o pesquisador disse que é difícil apontar, mas existem algumas hipóteses. “Estamos vendo as pessoas saindo, bares abertos, festas. A partir de outubro e novembro vimos uma flexibilização maior, eventos, eleições. Tudo isso são interpretações, são fatores que estão na literatura e que a gente sabe que de uma forma conjunta vão gerar esse aumento”, analisa.

Por fim, Felizola lembra que não estamos entrando em uma segunda onda, mas que caso os cuidados com os protocolos, testagem e isolamento de infectados não sejam seguidos isso pode ocorrer em meados de fevereiro. Para o pesquisador, que se debruça no estudo da Covid-19 desde o seu início, é preciso lembrar que a pandemia não acabou.

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