Implante injetável em estudo pode abrir novo caminho para reconstrução mamária
08 janeiro 2026 às 19h15

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Pesquisadores internacionais avançaram no desenvolvimento de um implante injetável que pode se tornar uma alternativa menos invasiva para a reconstrução das mamas após cirurgias decorrentes do câncer de mama. O método, ainda em fase experimental, utiliza um biomaterial derivado da pele humana e promete reduzir cicatrizes, inflamações e o tempo de recuperação das pacientes.
No Brasil, o câncer de mama responde por cerca de 30% dos diagnósticos oncológicos anuais, e uma parcela significativa dos tratamentos envolve a retirada parcial ou total da mama. Desde novembro de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a garantir assistência fisioterapêutica específica para mulheres mastectomizadas, incluindo cuidados voltados à reconstrução mamária, o que reforça a relevância de novas abordagens terapêuticas.
O estudo, publicado em dezembro na revista científica ACS Applied Bio Materials, descreve a criação de uma pasta injetável feita a partir da chamada matriz dérmica acelular (ADM), um biomaterial já utilizado em procedimentos médicos. A ADM é obtida a partir da pele humana ou animal, após um processo que remove as células, mas preserva a estrutura rica em colágeno, elastina e ácido hialurônico — componentes essenciais para a regeneração dos tecidos.
De acordo com o pesquisador Pham Ngoc Chien, da Universidade Nacional de Seul, o diferencial está no formato injetável. “Esse material favorece a formação de vasos sanguíneos e a remodelação do tecido, mantendo a inflamação em níveis baixos”, explicou. Segundo ele, a técnica pode resultar em uma reconstrução mais segura e com melhor resultado estético no longo prazo.
Atualmente, a reconstrução mamária costuma envolver cirurgias mais complexas, como o reposicionamento de tecidos remanescentes ou o enxerto de pele e gordura retirados de outras partes do corpo. Embora eficazes, esses procedimentos são mais invasivos e deixam cicatrizes adicionais.
A proposta dos pesquisadores é justamente preencher o espaço deixado pela retirada do tumor com a pasta de ADM, evitando grandes incisões. Para testar a segurança do material, a equipe realizou experimentos em camundongos, comparando o novo implante com produtos já disponíveis no mercado.
Após seis meses, os animais não apresentaram efeitos adversos. Além disso, o tecido formado era mais fino e uniforme, uma característica considerada positiva em implantes mamários, por reduzir o risco de complicações como infecções e hematomas.
Apesar dos resultados promissores, a técnica ainda está distante da aplicação em humanos. Serão necessários novos estudos, inclusive ensaios clínicos, para confirmar a eficácia e a segurança do implante injetável em pacientes.
Mesmo assim, os pesquisadores avaliam que a inovação pode representar um avanço importante no campo da reconstrução mamária, especialmente por combinar menor invasividade, potencial redução de custos e melhores resultados funcionais e estéticos para mulheres que enfrentam o câncer de mama.
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