Tesoureiro da Associação de Combate ao Câncer em Goiás falou sobre histórico de inadimplência da Prefeitura de Goiânia, motivo para cancelamento de contrato

O tesoureiro da Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG), que mantém o Hospital Araújo Jorge na capital, defendeu nesta sexta-feira (2/6), em entrevista ao Jornal Opção, o rompimento contratual com o Instituto Municipal de Assistência à Saúde e Social (Imas), anunciado na última quinta-feira (1º) pela entidade.

Segundo o que defende o Dr. Márcio Roberto Barbosa da Silva, cirurgião oncológico especialista em cabeça e pescoço, o cancelamento não foi uma decisão repentina ou unilateral, e é reflexo de meses de inadimplência por parte da Prefeitura de Goiânia. “Não podemos ficar sem receber. Foram várias tentativas de acordo, mas sem sucesso”, explica.

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A dívida da administração municipal com o Imas gira em torno de R$ 1,35 milhão, valor que inclui quatro faturas referentes a 2014 e 2016. De acordo com a ACCG, um acordo foi firmado para que fosse pago por mês, além do valor referente à prestação de serviços, uma das faturas dos anos anteriores.

O compromisso, entretanto, não foi cumprido pela gestão do prefeito Iris Rezende (PMDB). Pelo contrário, após reiteradas tentativas de diálogo pela associação, no dia 1º de maio, a gestão peemedebista teria trancado o portal do instituto para os prestadores de serviço do Araújo Jorge, impossibilitando a emissão de faturas. A medida apenas acentuou a crise entre as partes, o que culminou no recente cancelamento de contrato.

Em nota emitida ainda na quinta-feira, o presidente do Imas, Sebastião Peixoto, disse que o hospital não poderia recusar o atendimento àqueles pacientes que estavam em tratamento e informou que já havia sido encaminhado ao Ministério Público de Goiás um pedido para garantir o atendimento dos pacientes credenciados.

De acordo com o que defende o tesoureiro da ACCG, entretanto, a associação está resguardada do ponto de vista legal. “O Conselho Federal resguarda o profissional médico. Somos obrigados a prestar atendimento em caso de urgência e emergência, mas a situação é diferente. O presidente do Imas quer passar a responsabilidade dele para nós”, explicou.

Sobre os pacientes que já estavam em tratamento no hospital, o representante explica que o usuário deve buscar outras unidades credenciadas ao Imas ou pode, ainda, tentar a regulação na rede pública por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

De qualquer maneira, o Dr. Márcio Roberto ressalva que o rompimento não é irreversível e a associação segue aberta ao diálogo. Reitera, no entanto, que não pode continuar prestando serviços para o município sem receber. “Estamos abertos à negociação, já fomos atrás e nada adiantou. E reitero: a responsabilidade pelos pacientes do Imas não é do Hospital Araújo Jorge.”