Igrejas e fiéis se reinventam para manter rotina religiosa à distância

Transmissão de missas e cultos pelas redes sociais prioriza o isolamento social e amplia número de fiéis que acompanham as cerimônias

Desde o início da pandemia houve preocupação com a contaminação em templos religiosos. O impacto chegou rápido e os cultos deixaram de ser presenciais, seguindo a principal recomendação para o enfrentamento ao coronavírus: evitar aglomerações. Neste cenário, líderes religiosos viram na internet a solução para manter o distanciamento social e reorganizar as celebrações.

Desde o início da segunda quinzena de março, missas e cultos online passaram a fazer parte do dia a dia de milhares de fiéis. Isso em decorrência da necessidade de isolamento social, preconizado pelas autoridades da área de saúde, como uma das medidas de prevenção ao contágio do novo coronavírus.

O pastor titular da Primeira Igreja Batista de Goiânia, Rubens da Costa Monteiro, conta que plataformas como o Youtube, Instagram e Facebook tornaram-se canais diretos entre os pastores e fiéis. Ele relata que o Templo foi adaptado, se transformando em estúdio de transmissão.

“Definimos que faríamos as transmissões do Templo porque precisávamos manter essa referência para quem nos acompanha. Adaptamos, aprendemos e chegaram novos equipamentos. Assim conseguimos fazer celebrações 100% online”, relata o Pastor Rubens. 

Todos os investimentos e a reinvenção foram com o objetivo principal de manter a segurança dos fiéis em relação ao coronavírus. “Adaptamos-nos à questão da segurança. São 15 pessoas que trabalham para realizar as transmissões e todos passam por um protocolo de cuidado e higienização bem rígido.”

Para quem acha que a realização de cultos online afastou os fiéis, se engana. O Templo da Primeira Igreja Batista em Goiânia recebia até 1.100 por celebração, pois essa era a capacidade máxima. Já os cultos virtuais alcançam público superior a 2 mil pessoas. “Temos cultos online para todos os fiéis. São celebrações voltadas para o público infantil, e que vão até a terceira idade”, diz Pastor Rubens. “É  lógico que temos saudades dos cultos presenciais. Falar para as câmeras e com os bancos do Templo vazios às vezes dói, mas entendemos que não devemos abrir agora.”

Mesmo com o passar da pandemia a Igreja Batista deve seguir com as transmissões online. “Será o que chamamos de híbrido. Teremos os cultos com transmissões nas plataformas e os presenciais. Hoje temos pessoas que nos acompanham de outros países e Estados”, aponta. 

Para a Igreja Católica a reinvenção também é cotidiana. O Reitor do Santuário Sagrada Família, Padre Rodrigo de Castro, conta que há anos Paróquia faz a transmissão das missas por meio das redes sociais. No entanto, por conta da pandemia e da necessidade de evitar aglomerações, as transmissões se intensificaram. 

“Para nós tem sido uma experiência bacana. Chama a atenção pela forma que alcança as pessoas. A internet nesse momento é uma oportunidade de estar presente e de falar com a comunidade e sermos respondidos”, avalia o Padre Rodrigo. 

O número de pessoas que acompanham as missas também aumentou graças às transmissões feitas pela internet. Segundo o Padre Rodrigo, isso é perceptível nas redes sociais, já que durante a pandemia aumentaram os seguidores. “Também aumentou a demanda pelas missas nas redes sociais”, diz animado. “É um conforto para esse momento tão difícil que estamos passando.”

Recomendação dos especialistas

O professor Dr. Thiago F. Rangel, do Departamento de Ecologia (ICB) da Universidade Federal de Goiás, explica que os cultos religiosos provocam aglomerações e por isso devem seguir a recomendação de suspensão. “Qualquer aglomeração de pessoas favorece a transmissão, porque faz com que alguém ali, que esteja infectado, passe para outras pessoas”, exemplifica.

O pesquisador diz que a mesma recomendação feita para jogos de futebol deve ser para a realização de celebrações. “Na história das pandemias as aglomerações sempre foram os principais vetores de transmissão. Na gripe espanhola aconteceu essa mesma situação, em que cultos religiosos foram eventos de transmissão”, pontua.

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