Ibaneis Rocha precisa aprender humanismo com Ronaldo Caiado

As fronteiras entre Brasília e os municípios do Entorno do DF são mais imaginárias do que reais. Os principais problemas da região advêm da capital da República

Brasília foi construída pelo presidente Juscelino Kubitschek, com o apoio de milhares de candangos, de engenheiros e arquitetos — como Lucio Costa e Oscar Niemeyer —, dentro do território de Goiás (não custa lembrar: entre os batalhadores pela construção da capital estava um Caiado — o senador Emival). Trata-se da capital de todos os brasileiros, mas, de algum modo, é a capital dos goianos. Porque, sublinhando, está incrustada na terra dos prosadores Bernardo Élis, José J. Veiga e das poetas Cora Coralina e Darcy Denófrio.

Se é a capital dos brasileiros, Brasília é a capital de todos. Não é a capital daquele que, no momento, está representando a cidade — o governador Ibaneis Rocha, ou melhor, também é dele, mas não apenas dele. Imagine: uma família vem de outro Estado (como o Piauí), antes de 1971, e é barrada na fronteira de Brasília. Ibaneis Rocha teria nascido na cidade?

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal: a fotografia deveria ser um símbolo de que o inimigo comum é o novo coronavírus | Foto: Reprodução

Nenhum governante humanista, que está preocupado com todas as vidas — e não, possivelmente, em fazer média com um eleitorado específico —, falaria em fechar fronteiras entre Goiás e Brasília.

Primeiro, faltou humanidade, respeito e cortesia à fala de Ibaneis Rocha.

Segundo, o que disse é uma pregação nas nuvens, quer dizer, não funciona. No fundo, as fronteiras entre Brasília e os municípios do Entorno são praticamente imaginárias. A rigor, Brasília e o entorno da capital são praticamente uma coisa só. Tanto que milhares de moradores das cidades trabalham em Brasília. Muitos são mais consumidores da capital do que de seus municípios.

Brasília é a cidade que contribui para a multiplicação de habitantes nas cidades do Entorno. Se há um inchaço populacional na região, o que aumenta vertiginosamente os gastos do governo de Goiás com saúde, educação e segurança pública, isto se deve, em larga escala, ao poder de atração que Brasília exerce sobre milhares de moradores de vários Estados brasileiros que querem melhorar suas vidas. Ocorre que, embora atraídos pela capital da República, muitos dos chegantes não têm condições de comprar imóveis ou pagar os aluguéis elevados da metrópole. Consequentemente, vão morar no Entorno. Portanto, o governo de Brasília — não apenas o de Goiás — tem imensa responsabilidade sobre o Entorno e não pode fugir dela. Se tentar, como sugeriu Ibaneis Rocha, demonstrará irresponsabilidade e falta de visão.

De qualquer maneira, é hora de paz. O momento é de união para salvar vidas e para cuidar dos doentes. O inimigo comum é novo coronavírus. Portanto, para além de atritos circunstanciais, Ibaneis Rocha e Ronaldo Caiado têm de se unir para proteger goianos e brasilienses — que são irmãos.

Ao contrário de Ibaneis Rocha, que parece jogar para a plateia de 2022 — quando terá de enfrentar uma eleição difícil, contra adversários de peso, como os senadores Leila do Vôlei, José Antônio Reguffe e Izalci Lucas —, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do partido Democratas, tem uma conduta humanista desde o início da pandemia. Por não ser populista, não está pensando na próxima eleição, mas na vida. Ele sabe que a vida é uma só — não tem estepe. Por isso luta por todas as vidas.

Quando o presidente Jair Bolsonaro, que fica em Brasília, decidiu repatriar brasileiros que moravam na China, Caiado — com o apoio do prefeito de Anápolis, Roberto Naves —, se prontificou a apoiá-lo. Era uma ajuda a brasileiros. Era, sobretudo, mais uma lição de humanismo. Recentemente, pacientes de Manaus, com Covid, vieram se tratar em Goiás — com o apoio do governador. Em nenhum momento se falou em fechar fronteiras. Na verdade, o governador goiano deixou claro, ao prestar ajuda a pessoas de outro Estado — aliás, de outros Estados —, que não há fronteiras, pois somos todos brasileiros (o SUS é a prova cabal disso).

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