HPV pode estar presente em até metade dos casos de câncer de pênis, alerta oncologista
26 março 2026 às 17h34

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O HPV pode estar presente em até metade dos casos de câncer de pênis. Em entrevista ao Jornal Opção, o oncologista da Hapvida, Dr. Leandro Ferro, explicou, nesta quinta-feira, 26, a relação entre o HPV e o câncer de pênis, ressaltando que, embora o vírus esteja presente em até metade dos casos, a falta de higiene íntima ainda é considerada o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença.
Segundo o especialista, estudos mostram que entre 20% e 50% dos tumores penianos apresentam o HPV em biópsias. “O vírus provoca lesões celulares e pode alterar o DNA, desencadeando tumores, como acontece também no colo do útero, boca, orofaringe e região anal”, apontou.
Apesar disso, Leandro destacou que a presença do HPV não torna o câncer mais agressivo. “Ele é um vetor que pode causar a doença, mas não necessariamente determina maior ou menor agressividade”, disse.
Questionado sobre diferenças entre tumores associados ao HPV e os demais, o médico disse que não tem. “No aparecimento clínico, não muda absolutamente nada. Por isso, os sinais iniciais devem ser observados com atenção. Toda e qualquer verruga na genitália, seja no pênis, escroto ou púbis, além de manchas vermelhas atípicas, devem motivar a procura por um urologista”, alertou.
Em relação aos exames, Leandro explicou que a peniscopia, antes utilizada rotineiramente, perdeu relevância. “Um resultado negativo não exclui a presença do vírus. Hoje, o exame físico realizado em consultas urológicas tem muito mais importância”, disse.
Diferentemente do Papanicolau nas mulheres, o rastreamento masculino depende sobretudo da avaliação clínica. “Todo homem após iniciar a vida sexual deve passar por consulta urológica rotineira”, reforçou.
A vacinação contra o HPV foi outro ponto abordado. Na rede pública, o imunizante é oferecido a meninos entre 9 e 14 anos, com campanhas recentes estendendo até os 19. Já na rede privada, a faixa etária vai de 9 a 45 anos. “Mesmo homens que já tiveram HPV se beneficiam da vacina, pois ela pode ajudar a eliminar o vírus”, afirmou.
Leandro destacou que a eficácia é maior em quem nunca teve contato com o HPV, mas ainda assim há recomendação para adultos.
Sobre prevenção, o oncologista lembrou que o preservativo, embora essencial, não garante proteção total. “O HPV é transmitido por contato pele com pele. O preservativo cobre apenas parte do pênis, e é comum vermos lesões na base ou no púbis. A melhor forma de prevenir é reduzir a exposição sexual desprotegida”, disse.
Resistência ao tema
Ao ser questionado sobre a resistência ou desconhecimento dos homens em relação ao HPV, o médico afirmou que passa muito por questão de machismo e por dogmas. “Os homens são mais relutantes em buscar acompanhamento médico. Por comportamento machista, desconhecimento e ignorância, acabam procurando menos e ignorando sinais”, contou.
Ele comparou o comportamento masculino ao feminino. “As mulheres se cuidam muito mais que nós homens. Existe até uma publicação americana que mostra que homens casados morrem menos que solteiros, justamente porque as mulheres estimulam seus parceiros a se cuidarem e frequentarem consultórios médicos”, disse.
Diagnóstico
Essa resistência, segundo o médico, tem consequências graves. “Isso reflete no alto número de amputações penianas que nós temos. Embora o câncer de pênis seja relativamente raro, os números de amputação não diminuíram nos últimos anos. Dados do DataSUS mostram índices ainda expressivos”, afirmou.
Leandro explicou que muitos homens esperam que a lesão desapareça com o tempo, mas ela tende a se agravar. “O medo de passar por cirurgia genital também faz com que eles demorem a procurar ajuda. Quanto mais tardio o tratamento, mais mutilante ele se torna, envolvendo amputações parciais ou totais”, explicou.
Comunicação
Para o oncologista, campanhas de comunicação são fundamentais. “Os órgãos públicos, como secretarias municipais, estaduais e o Ministério da Saúde, têm papel importantíssimo na divulgação. As sociedades médicas também devem estimular a população. E no consultório, o profissional precisa explicar a importância dos exames de rotina e da higienização. Água, sabonete e uma toalha limpa são suficientes para prevenir a maior parte dos casos de câncer de pênis”, esclareceu.
Brasil
Ao ser questionado sobre países que servem de modelo na prevenção, Ferro destacou que o Brasil é referência internacional. “O câncer de pênis tem relação direta com aspectos culturais, e as estatísticas variam muito entre países. Mas o Brasil é um dos que mais se destacam em diagnósticos e tratamento. Recebemos profissionais de outros países para treinamento, porque nossa experiência com HPV e câncer de pênis é muito grande. Somos modelo para o mundo”, finalizou.
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