Hospital Municipal de Itaberaí era usado como fachada para esquema, diz MP

Grupo seria responsável pela indevida postergação e não conclusão das obras de reforma e ampliação do Hospital Municipal Dr. Gilberto da Silva Caldas

Pacientes internados no Hospital Municipal Dr. Gilberto da Silva Caldas, em Itaberaí, não contavam com estrutura básica para atendimento, o que pode ter levado até a mortes. As obras da unidade de saúde são alvo de investigação do Ministério Público de Goiás (MP-GO) como parte de um esquema de desvio de recursos por administradores municipais.

Segundo apontou o promotor de Justiça Juan Borges de Abreu, o suposto esquema criminoso mantinha o hospital em funcionamento para que recursos de Saúde continuassem enviados ao município. No entanto, como a unidade estava em reforma e não tinha estrutura para funcionar, pacientes chegavam a aguardar em bombas manuais de oxigenação.

“O hospital, mesmo depois de iniciado as obras, continuou sem estrutura nenhuma. Não havia nem internação. Um paciente grave, que era internado, regulado a partir do Sistema Único de Saúde (SUS), era visualizado pelo sistema como se estivesse em um hospital, mas não tinha nem mesmo oxigenação. Imagina isso em época de coronavírus”, disse.

“Enquanto aguardava uma vaga de UTI, em tese em um hospital, na verdade não estava. Ficava em bomba manual de oxigenação com enfermeiras revezando”, continuou o promotor, durante entrevista coletiva.

Além disso, conforme apurado pelo Ministério Público, os secretários de saúde do município eram subalternos a um dos alvos da investigação, que coordenava o esquema.

O esquema

O Jornal Opção apurou que foram cumpridos mandados na casa do prefeito da cidade, Roberto Silva (PP) e também na sede da prefeitura. Ainda são alvos da operação o vice-prefeito, Adilson Cardoso (PSDB), o secretário de Saúde, Zanderlan Moreira, e uma clínica de raio-x.

A clínica investigada foi inaugurada no mesmo ano do hospital justamente para servir ao esquema. Inclusive com contratação, por parte do município, de quatro técnicos de enfermagem para fazer trabalhos na clínica, ou seja, eles eram funcionários da clínica pagos pelo município, no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2018.

A prefeitura teria efetuado pagamento de R$ 1,8 milhão por exames de raio X, ultrassonografia e mamografia para a clínica, além de R$ 453 mil referente à mão de obra dos técnicos contratados. Os valores são superiores ao da própria obra, orçada inicialmente em R$ 2.187.970,00.

O promotor ainda é reticente em afirmar que o prefeito estava ciente do esquema. Quando perguntado, Juan Borges de Abreu disse que as investigações ainda estão em curso.

Durante a operação realizada na manhã desta quinta-feira, 7, a polícia prendeu um agente municipal e um empreiteiro.

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