Hospital de referência em Goiás constata aumento de 780% em casos de sífilis

Dados do HDT registraram crescimento no número de casos entre 2010 e 2016; só até outubro já foram notificados mais casos da doença que em todo o ano passado

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Falta de prevenção é um dos principais fatores do aumento de casos da doença | Foto: Divulgação

Neste ano, com o aumento dos casos de sífilis, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, declarou que a doença está sendo tratada como epidemia no Brasil. De acordo com dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2016, entre 2014 e 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de 32,7%, a sífilis em gestantes 20,9% e congênita (da mãe para o filho), de 19%.

O Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA), unidade referência no atendimento a doenças infecciosas em Goiás e região, informou que no Estado a situação é alarmante. Entre 2010 e 2016, houve um aumento de 780% dos casos de sífilis.

No Sistema de Informação de Agravo de Notificação do hospital são registrados os casos da doença em adulto nas formas primárias, secundárias e terciárias. Em 2010 – ano de início da notificação compulsória da sífilis adquirida – foram notificados 25 casos; em 2011 foram 72; em 2012, 33 casos; em 2013, 57; em 2014, 157; e em 2015 foram registrados 167 casos.

Só até a primeira quinzena de outubro neste ano, já foram notificados 220 casos. Para a infectologista do HDT/HAA Luciana Oliveira os principais fatores no aumento de número de casos são a falta de esclarecimento e o não uso de preservativos.

“As pessoas não estão se protegendo e estão se expondo mais, pois a maioria não usa camisinha”, explicou a médica. Segundo ela, para reverter o quadro de aumento do número de casos da doença é necessário que continuamente sejam realizadas medidas educativas, reforço do uso do preservativo e que haja conscientização por parte das pessoas expostas de que precisam realizar exame de sangue para fazer o diagnóstico e controlar a doença.

O infectologista Boaventura Braz de Queiroz concorda com a colega. De acordo com ele, a redução de campanhas educativas e projetos junto a populações vulneráveis e desabastecimento de medicamentos necessários ao tratamento da doença, tanto na rede privada quanto na rede pública.

A doença

A sífilis é causada pela bactéria Treponema Pallidum e detectada pelo exame de sangue VDRL (em inglês, Venereal Disease Research Laboratory). A principal via de transmissão é por meio do contato sexual, mas também pode ser transmitida por transfusão de sangue contaminado e da mãe para o feto durante a gravidez ou no momento do nascimento, resultando em sífilis congênita.

A doença pode se manifestar em três estágios. Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. Nessa época podem surgir pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas, porém, como não doem, não coçam, não ardem, não apresentam pus, e desaparecem mesmo sem tratamento, dá a ideia de melhora, apesar de a pessoa continuar infectada.

Por isso é considerada uma doença silenciosa, e pode não se manifestar por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves como a cegueira, paralisia, doença cerebral e problemas cardíacos, podendo, inclusive, levar à morte. A doença tem cura e a recomendação é procurar por um profissional de saúde, pois só ele pode fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento mais adequado, dependendo do estágio da patologia.

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