Hospitais públicos de Goiânia recebem projeto de inteligência artificial 

Software contribui na priorização do atendimento aos pacientes com lesões cerebrais ou cervicais graves00

Foto: Reprodução

A Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), acaba de implantar um projeto de inteligência artificial em exames de tomografia de crânio e coluna cervical realizados por três hospitais públicos de Goiânia. A tecnologia é usada para identificar lesões em tomografias, auxiliando e sinalizando, via sistema, que o paciente deve ter atendimento e laudos priorizados. 

Os hospitais beneficiados com o recurso foram: Hospital Geral de Goiânia (HGG), Hospital Estadual de Urgências de Goiânia Dr. Valdemiro Cruz (Hugo) e o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).

A parceria entre a FIDI — que é responsável por gerir sistemas de diagnósticos em 85 unidades de saúde — e a AIDOC, startup focada em aplicar inteligência artificial à radiologia, concretiza no Brasil o primeiro projeto de pesquisa de inteligência artificial no diagnóstico por imagem para a rede pública. 

A expectativa é oferecer atendimento qualificado no menor tempo possível em casos de traumatismos, acidente vascular cerebral e outras situações que determinem dano cerebral. A intenção com isso é reduzir sequelas e até mesmo salvar vidas. Desde a implantação do projeto — no início deste ano — 92% dos casos em que havia sangramentos foram devidamente detectados e priorizados pelo algoritmo.

Ao Jornal Opção, o secretário de Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino, destacou que o uso da inteligência artificial, sobretudo na questão diagnóstica, é uma tendência mundial. “O Brasil ainda precisa avançar muito nesse aspecto. A área de imagem, como a de radiologia, é pioneira nesse sentido, visto que já temos diversos softwares que fazem leitura de imagens e já sugerem um diagnóstico, cabendo ao radiologista confirmá-lo”.

Ismael Alexandrino: “Entendemos que o caminho da saúde precisa necessariamente passar pela implantação de tecnologias”| Foto: Reprodução

Para ele, qualquer projeto nesse sentido é visto com “bons olhos”. “Entendemos que o caminho da saúde precisa necessariamente passar pela implantação de tecnologias. Esse tipo de tecnologia contribui para ampliar a escala, diminuindo o custo per capita e o custo por procedimento, de forma a tornar a conta final mais sustentável”, pontuou.  

Como funciona

O processo segue o seguinte fluxo: ao realizar um exame, as imagens seguem para o servidor da FIDI, que identifica se é uma tomografia de crânio, oculta os dados do paciente e envia para o servidor da AIDOC na nuvem. As imagens são devolvidas para o servidor da FIDI com as marcações das lesões, se houver. O exame é reidentificado com os dados do paciente e segue para a central de laudos da FIDI.

Na central de laudos, o sistema prioriza automaticamente os exames conforme sua gravidade. Desta forma, o médico radiologista pode analisar os exames com mais celeridade, acelerando, inclusive, o atendimento prestado ao paciente. “É importante salientar que as imagens que seguem para o servidor da AIDOC continuam simultaneamente disponíveis na central de laudos da FIDI, ou seja, o uso da ferramenta não inviabiliza o trabalho já realizado normalmente”, explica dos Santos.

Igor dos Santos: “Todo desenvolvimento tecnológico é usado em benefício do paciente” Foto: Reprodução

Resultados 

Em novembro de 2017, a ferramenta recebeu a certificação da União Europeia que atesta a aplicabilidade e segurança de dispositivos médicos (CE Mark). Além disso, o software recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA), órgão governamental dos EUA que faz a regulação de alimentos — humano e animal —, suplementos alimentares, medicamentos, cosméticos, equipamentos médicos, materiais biológicos e produtos derivados do sangue humano.

O objetivo, segundo a Fundação, não é substituir o capital humano no processo de análise e elaboração de laudos, já que todos os exames são analisados e emitidos via médico radiologista. A intenção é, na verdade, dar ainda mais precisão e agilidade aos profissionais e pacientes. “Todo desenvolvimento tecnológico é usado em benefício do paciente. Com a ferramenta, nós agilizamos o atendimento de pessoas com quadro mais grave e que nem sempre é visível antes da análise do exame”, afirma Igor dos Santos, Médico Radiologista e Chefe de Inovação da FIDI.

A FIDI

A Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI) existe há mais de 30 anos onde atua como responsável pela gestão de sistemas de diagnóstico por imagem na rede pública de saúde. Ela foi fundada em 1985 por médicos e professores integrantes do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina — atual Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). A Fundação nasceu com o objetivo de prestar assistência à população, bem como contribuir no aprimoramento de médicos radiologistas por meio de programas de educação continuada, bolsas de estudo e cursos de especialização. 

Com 2.500 colaboradores e um corpo técnico formado por mais de 500 médicos, a FIDI realiza anualmente 5 milhões de exames entre ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassonografia, mamografia, raios X e densitometria óssea. 

Desde 2006, a FIDI deixou de ser Instituto e passou a ser denominada Fundação. Em 2009 ganhou status de Organização Social, expandido sua atuação e hoje está presente em 85 unidades de saúde nos estados de São Paulo e Goiás. Ela também participou da primeira Parceria Público-Privada de diagnóstico por imagem na Bahia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.