Além disso, ele é filho de um tenente-coronel reformado da PM e ex-prefeito do município, Romeu José Gonçalves, que também já foi condenado por ofender uma vereadora

Principal suspeito do assassinato brutal do policial civil aposentado João do Rosário Leão, de 63 anos, em uma farmácia em Goiânia, Felipe Gabriel Jardim Gonçalves, de 26 anos, é sobrinho do prefeito de Joviânia, Reni Eustáquio Gonçalves, conhecido como Renim (MDB). Preso pela Polícia Civil na noite de quarta-feira, 29, em uma casa no Conjunto Riviera, bairro da região leste da Capital, ele é filho de um tenente-coronel reformado da Polícia Militar (PM) e ex-prefeito do município, Romeu José Gonçalves, que também já foi condenado por ofender uma vereadora.

O vínculo com políticos também inclui o coronel aposentado Wellington Urzêda, pré-candidato a deputado estadual. No dia seguinte ao crime, o postulante à Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) chegou a ir à delegacia para negociar da apresentação espontânea do acusado. Ele alega que, embora não realize a defesa ou tenha tido contato com Felipe, é amigo do pai do atirador.

Felipe, que nasceu em Goiânia, chegou a tentar uma carreira na Segurança Pública. Mas nunca conseguiu de forma efetiva até hoje. Assim, acabou optando por serviços temporários. Segundo informações do Metrópoles, ele integrou o Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve), espécie de soldado da PM temporário, que mais tarde, em 2015, foi extinto por ser considerado inconstitucional. Ele também foi Vigilante Prisional Temporário (VPT).

Embora não tenha se tornado policial, Felipe passava essa impressão em suas redes sociais. No início do ano passado, ele se identificava em suas redes sociais como “servidor público do Estado de Goiás” com a imagem de uma viatura policial, sem especificar que sua função na época era de VPT. Na descrição da rede social ele ainda se definia como “viajante” e “acadêmico de direito”. Abaixo da descrição, uma frase exaltava seu lado religioso: “Deus acima de tudo”.

Em mensagens trocadas com uma ex-namorada anexadas em um processo público no Judiciário de Goiás, Felipe exibe armas de fogo. Em uma das imagens aparece uma pistola e uma algema com a legenda “Ferramenta de trabalho kkkkk”. Felipe tinha o registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador, o chamado CAC.

De acordo com a publicação, em novembro de 2020, Felipe foi parar na cadeia depois de exibir uma suposta arma de fogo na praça de Aruanã. Ele estava no local em uma viagem com familiares e amigos. A arma na verdade era uma airsoft de pistola, espécie de arma de pressão com aparência semelhante à de armas de fogo verdadeiras. Na delegacia, o jovem disse que se arrependia de ter manuseado a arma. O caso foi arquivado. No processo não é detalhada a situação que ele usou a airsoft, mas o caso foi registrado como ameaça.

*Com informações do Metrópoles