Heloísa de Carvalho Martins Arribas, filha do escritor bolsonarista Olavo de Carvalho, morreu na noite desta quarta-feira, 7, em Atibaia, no interior de São Paulo. A informação foi divulgada pela Revista Fórum e confirmada pelo Jornal Opção junto à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).

De acordo com o boletim de ocorrência, o corpo dela foi encontrado por um amigo, que entrou em contato com as autoridades policiais. Heloísa ficou conhecida por romper com o pai e ter se filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Ainda de acordo com o documento, o corpo de Heloísa foi encontrado em cima da cama. Ao lado do móvel, havia um copo um líquido de coloração alaranjada. Na cozinha da casa foi encontrada uma lata de cerveja aberta, duas garrafas de bebida vazias e uma garrafa de água contento resquícios de uma substância branca aparentando medicamento.

Os agentes ainda localizaram dois frascos de Epilenil abertos e vazios. O medicamento é um anticonvulsivante, cujo qual o principal ativo é o valproato de sódio. O uso é voltado para o tratamento de diversos distúrbios neurológicos. Também foi encontrado um frasco do antifúngico Nistatina pela metade.

A polícia investiga se isso tem ligação com a morte dela. No dia anterior, Heloísa teria dado entrada a um hospital com suspeita de intoxicação por medicamentos. Ela teve alta após atendimento.

Entrevista

Em 2023, Heloísa concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Ton Paulo, na qual contou como ajudou Caetano Veloso a localizar a madrasta, Roxane, e uma das suas filhas, Leilah Maria, para receber a notificação judicial para pagamento de um processo que foi movido pelo artista contra o guru bolsonarista.

Na ocasião, ela relatou que Roxane e Leilah, que até então moravam com Olavo no estado da Virginia, nos Estados Unidos, voltaram ao Brasil logo depois da morte dele, se instalando em Santa Catarina.

Ainda segundo Heloisa, ela conseguiu descobrir que elas estavam morando em Balneário Camboriú, e que Leilah teria, inclusive, se casado aqui no Brasil. “Fiz minhas buscas, descobri onde elas estavam morando e informei aos advogados do Caetano [Veloso]”, revelou ao Jornal Opção.

O processo foi movido em 2017, após Olavo de Carvalho acusar o cantor baiano de pedofilia em uma publicação realizada nas redes sociais. A Justiça concedeu uma liminar determinando a exclusão das postagens no mesmo ano, com sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

Dois anos depois, em 2019, Olavo foi intimado em casa, nos Estados Unidos, mas não apagou as publicações.

O fato levou à sua condenação, por parte da Justiça do Rio de Janeiro, o que ocorreu em outubro de 2020. A 50ª Vara Cível do Rio de Janeiro condenou o filósofo a pagar, em 15 dias, R$ 2,9 milhões a Caetano.

Com sua morte, a dívida – com juros e multa – passa aos herdeiros, conforme determina o art. 597 do Código de Processo Civil.

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