Hamburgueria denuncia episódio de racismo em Goiânia: “mandar outro motoboy que seja branco”

Relato foi compartilhado nas redes sociais e caso será levado à Polícia Civil

Foto: Reprodução/ Ham Burger

A gerente de uma hamburgueria localizada no Goiânia II, na capital, relatou um episódio de racismo envolvendo um entregador por aplicativo na noite desta segunda-feira, 26. “Um fato muito triste ocorreu em nossa hamburgueria. Não toleramos nenhum tipo de preconceito. Iremos à polícia e esperamos que medidas cabíveis sejam tomadas”, diz a gerente do estabelecimento. O desabafo já foi compartilhado por milhares de usuários no Twitter.

“Ontem, no final da noite, tivemos um pedido no Aldeia do Vale e quando o entregador estava chegando lá, pedi para que ela liberasse a portaria para que ele pudesse entrar. Tive essas palavras como resposta”, conta a gerente da Ham Burger ao compartilhar prints em que a cliente diz que não vai autorizar a entrada do entregador por conta de sua cor.

“No começo, durante uns 15s, pensei que era mentira ou algum tipo de teste com o restaurante, uma vez que me recusei a acreditar que eu realmente havia lido isso. Me veio na cabeça mil xingamentos, mas como representante do estabelecimento, tive que responder com educação”, diz a mulher.

Como o entregador não teve nenhum tipo de contato com a mulher que fez o pedido, a gerente acredita que ela tenha ligado na portaria para perguntar se ele havia chegado e aí ficou sabendo sobre a cor do entregador. Ainda de acordo com Carol, não foi divulgada nenhuma informação sobre a pessoa para evitar um possível processo por difamação. No entanto, o crime de ódio será denunciado pelo estabelecimento.

“Gravei tudo e está tudo no meu acervo pessoal. Espero que essa criminosa não saia impune, isso é crime! Nunca tinha passado por isso antes. No momento, eu estava em ligação com o entregador, porque precisava passar as informações da quadra e do lote para que ele pudesse localizar e ele, percebendo que eu tinha me calado, ele perguntou o que havia acontecido. Eu, ali, parada e atônita, tive que contar pelo telefone que um crime de ódio tinha sido cometido contra ele, devido à cor de sua pele”, detalha a gerente.

Ainda de acordo com o relato, o entregador chegou à Hamburgueria sem reação, tendo que fazer mais duas entregas. “Fui embora para casa chorando, conversando com o entregador para que ele relatasse ao meu irmão o que havia acontecido, uma vez que ele representa a loja, então eu vou na polícia como testemunha”, adianta Carol.

“O entregador já está sabendo do movimento nas mídias sociais e ele estará presente em todas as entrevistas. Ele está muito grato por todos que estão ajudando a divulgar e que não compactuam com esse crime”, conclui a gerente ao compartilhar o desabafo do trabalhador.  

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