Haddad afirma que PT acerta em apostar em Lula para 2018

Para ex-prefeito de São Paulo, partido não pode fazer cálculo “mesquinho” e precisa apoiar ex-presidente no momento de dificuldade que vive

Se sentença for reformada, afirmou Haddad, sentimento quanto ao ex-presidente Lula passa a ser de que ele foi injustiçado e petista volta a ter condições de liderar o país | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) afirmou, em entrevista ao Jornal Opção, que seu partido fez a avaliação correta ao manter a opção por apoiar uma possível candidatura do ex-presidente Lula (PT) em 2018, apesar do risco de que ele não possa disputar.

Trabalhar em cima da candidatura de outro nome admitindo que Lula pode ser condenado, para ele, seria uma atitude “mesquinha”. “Em um momento difícil da vida da sua principal liderança, que representou tanto para o povo trabalhador e para a própria trajetória do PT, fazer um cálculo menor, que não coloca a respeitabilidade e a trajetória em primeiro lugar?”

“Eu acho que se o PT tomasse outro caminho, a pergunta seria inversa: ‘Será que nesse momento tão difícil não seria momento de prestar solidariedade?’. Então eu acho que o PT tomou a decisão correta, de ser solidário até o fim”, defendeu ele.

Afirmando crer na reforma da sentença do juiz Sergio Moro, que condenou Lula a nove anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, Haddad avalia que se algumas pessoas ainda estão “com um pé atrás” em relação à candidatura de Lula, é por aguardar a decisão da Justiça quanto ao caso.

“No contexto atual, em que a honra do presidente está sendo afetada, por uma sentença que ele considera injusta, ele tem todo o direito de pleitear o recurso. Se a decisão for dada favoravelmente a ele, esse sentimento [de rejeição] vai se dissipar em proveito da sua liderança já atestada na ocasião em que ele se sagrou o melhor presidente do país”, declarou.

Haddad também comentou sua recente declaração sobre o fato de o PT e o PSDB não terem construído uma agenda comum nos anos em que estiveram no poder. Questionado se uma eventual eleição do Lula não pioraria este quadro de dicotomia política, ele disse que não. Segundo o petista, mesmo que o ex-presidente não seja unânime, ele saiu da presidência com aprovação de 83% da população e vai conseguir repetir o sucesso de seus dois governos.

“Obviamente tudo o que aconteceu nos últimos anos vem colocando o país em uma situação de polaridade que nem coaduna com o nosso espírito. Mas se a sentença for reformada, e nós acreditamos que ela será, toda essa polarização vai dar lugar a um outro sentimento, o de que havia uma injustiça e, com a reparação, ele volta a ter condições de liderar um processo que ele já conduziu nos oito anos à frente da Presidência da República”, concluiu.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.