Há 102 anos, Donga gravava “Pelo Telefone”, considerado o primeiro samba

O registro foi feito na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A partitura para piano é do mestre Pixinguinha. Canção virou o grande sucesso do carnaval carioca do ano seguinte, 1917

Ernesto Joaquim Maria dos Santos, conhecido como Donga, (Rio de Janeiro, 5 de abril de 1890 — Rio de Janeiro, 25 de agosto de 1974) | Foto: Domínio público

Seis de novembro de 1916 é a data da gravação do primeiro samba no Brasil, “Pelo Telefone”, de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, mais conhecido como Donga.

O registro foi feito na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A partitura para piano é do mestre Pixinguinha. O documento permanece arquivado na biblioteca.

Nesta primeira versão, a canção não tinha letra, só melodia. Posteriormente, foram incluídos os versos do jornalista Mauro de Almeida, que teve seu nome incluído como co-autor.

No carnaval do ano seguinte, 1917, o samba se tornou um grande sucesso, tornando-se o ritmo que reinaria na folia até os dias atuais. O sucesso de “Pelo Telefone” fez com que diversos músicos reivindicasse sua autoria.

A canção também causou polêmica, por referir em sua letra a “polícia” e “roleta”, jogo proibido na época. Só anos depois, em 1960, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, Donga confirmou ter mudado a letra para evitar atrito com as autoridades.

A canção foi composta em 1916, no quintal da casa da Tia Ciata, na Praça Onze, um famoso terreiro de candomblé daqueles tempos.

Abaixo, a letra de “Pelo Telefone”, um marco da música brasileira:

O chefe da folia
Pelo telefone manda me avisar
Que com alegria
Não se questione para se brincar

Ai, ai, ai
É deixar mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás

Tomara que tu apanhe
Pra não tornar fazer isso
Tirar amores dos outros
Depois fazer teu feitiço

Ai, se a rolinha, sinhô, sinhô
Se embaraçou, sinhô, sinhô
É que a avezinha, sinhô, sinhô
Nunca sambou, sinhô, sinhô
Porque este samba, sinhô, sinhô
De arrepiar, sinhô, sinhô
Põe perna bamba, sinhô, sinhô
Mas faz gozar, sinhô, sinhô

O peru me disse
Se o morcego visse
Não fazer tolice
Que eu então saísse
Dessa esquisitice
De disse-não-disse

Ah! ah! ah!
Aí está o canto ideal, triunfal
Ai, ai, ai
Viva o nosso carnaval sem rival

Se quem tira o amor dos outros
Por deus fosse castigado
O mundo estava vazio
E o inferno habitado

Queres ou não, sinhô, sinhô
Vir pro cordão, sinhô, sinhô
É ser folião, sinhô, sinhô
De coração, sinhô, sinhô
Porque este samba, sinhô, sinhô
De arrepiar, sinhô, sinhô
Põe perna bamba, sinhô, sinhô
Mas faz gozar, sinhô, sinhô

Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto

Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor

** Com informações da Radioagência Nacional

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