Guerra da vacina e fim do auxílio emergencial fazem crescer pressão popular por impeachment de Bolsonaro

Movimento, ainda incipiente, tem ganhado força principalmente nas redes sociais. Avaliação, por ora, é de que o Centrão segue ao lado do presidente deixando o Congresso sem clima para instalação do processo

Presidente Jair Bolsonaro | Foto: divulgação

Desde que se elegeu presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) divide opiniões. De um lado, apoiadores e seguidores fiéis que acompanham o presidente até nas situações mais embaraçosas. De outro, a parcela de uma esquerda mais radical que, ao menor descontentamento com o chefe do País, sempre bradou pelo impeachment.

Só o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), já recebeu 56 pedidos de impeachment do presidente. A maioria deles por ameaça à democracia, à soberania e até por uso indevido das redes sociais. Grande parte segue “em análise” sem alguma expectativa de prosperar.

Mas, o que acontece agora, diante da falta de empenho de Bolsonaro em agilizar a disponibilização da vacina contra o coronavírus para a população e com o fim do auxílio emergencial, que era o responsável pelo sustento de grande parcela de brasileiros durante a pandemia, é diferente. Cresceu a manifestação de populares, e não mais de alguns grupos organizados, que querem Bolsonaro fora do Palácio do Planalto.

Centrão será decisivo num possível processo de impeachment

Representantes goianos na Câmara de Deputados se dividem sobre o assunto. Um dos maiores apoiadores de Bolsonaro na época da eleição, o deputado federal Delegado Waldir (PSL), acredita que é precipitado pensar em impeachment nesse momento visto que o bloco denominado Centrão continua ao lado do presidente, o que tornaria inviável a instalação desse processo no Congresso. “Exceto se houver uma grande pressão popular”, pondera.

“Esse movimentos terão que vir com mais clareza para que isso sensibilize os futuros juízes que são os deputados. Nas minhas redes sociais o que eu percebo é que a sociedade está exigindo providências com relação à vacina e à pandemia. A sociedade não admite essa série de falhas do Ministério da Saúde e do Governo Federal com relação à vacina”, analisa.

Waldir diz que seu posicionamento num possível possível processo de impeachment seria pautado pela vontade do eleitor que o elegeu.

Já para o deputado Professor Alcides (Progressistas), a pressão parte apenas da esquerda e não pode ser considerada como “pressão popular”. “Eu sou totalmente contra qualquer tipo de ação que venha a tentar fazer o impeachment do presidente. Estão dizendo que o centrão está deixando o Bolsonaro e eu atesto que é mentira, não existe nada nesse sentido. Existe, claro, alguns deputados do Psol, da esquerda doente que não se conformou até hoje com a derrota e estão procurando ‘sarna’ onde não existe”, avalia.

Alcides diz que apenas uma pequena fatia do Centrão, representada pelo Maia, se juntou á esquerda. “Ele é o protagonista disso, mas nós vamos derrotá-lo no dia 1º e tirá-lo da presidência da Câmara. Aí sim vamos poder fazer o Brasil andar”, aposta.

Também integrante do Centrão, o deputado federal Francisco Jr. (PSD) diz que mais um pedido de impeachment não contribuiria para melhorar a vida do cidadão. “Como tenho repetido, a Câmara Federal precisa estar focada agora em medidas para proteger os brasileiros da Covid-19, salvar vidas com a ampliação da vacinação, despolitizar as medidas na saúde pública e com o fortalecimento da nossa economia”.

O parlamentar considera que as dezenas de pedidos de impeachment são infrutíferos no Congresso e minimiza o movimento. “Desde a década de 1990, com Fernando Henrique, todo governo se torna alvo de inúmeros desses pedidos, que se multiplicam ao ponto de já termos tido mais de 65 pedidos para um mesmo presidente. Número que novamente está perto de ser alcançado em pouco menos de dois anos. E essa banalização do procedimento serve apenas para desmoralizar ainda mais o Congresso, que deve se ocupar com o seu papel importantíssimo na aprovação das reformas que o País precisa, agora mais do que nunca”.

Já o deputado José Nelto (Podemos) diz que a pressão popular pela saída de Bolsonaro é clara. “Há um mês ninguém falava comigo a palavra impeachment. Depois dessa guerra da vacina, do fim do auxílio emergencial, o fracasso do governo com esse negacionismo e sem conseguir entregar a vacina para o povo brasileiro, começou uma pressão que eu jamais esperava. Eu estou sendo cobrado a todo minuto nas minhas redes sociais pelo impeachment do presidente”.

“Todo movimento por mudanças ele começa pequeno, é como uma revolução, e vai crescendo. O presidente precisa estancar esse movimento rapidamente Mudar a postura dele de governar, tirar a palavra divisão e começar a unir a nação. É esse o papel de um estadista. E agora achar a vacina o mais rápido possível”, finaliza.

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