Mesmo com isolamento da Rússia desde a invasão a Ucrânia, Petrobras não reajusta preços nos combustíveis desde 12 de janeiro

Mesmo com aumento de mais de 11% no preço do barril do petróleo, efeito direto da Guerra ente a Rússia e a Ucrânia, a Petrobras está há 51 dias sem reajustar o valor dos combustíveis no Brasil. A alteração mais recente na tabela foi no dia 12 de janeiro, quando o preço da gasolina para as distribuidoras subiu, em média, de R$ 3,09 para R$ 3,24. Já o diesel saiu de R$ 3,34 para R$ 3,61. Apesar dsa perspectivas de aumento provocado pelo cenário internacional, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que não irá interferir nos preços dos combustíveis, mesmo que eles disparem. A Petrobras “sabe da sua responsabilidade”, alega.

Atualmente, o valor por barril está acima de US$ 100, um recorde nos últimos oito anos. E a alta pode continuar, considerando a preocupação de que o crescente isolamento econômico da Rússia desde a invasão da Ucrânia interrompa o fornecimento global de energia. O último aumento por barril ocorreu na terça-feira, 1, mesmo depois que membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram em liberar suprimentos de reservas de petróleo e apesar dos esforços dos governos ocidentais para excluir petróleo e gás das sanções à Rússia.

Os impactos do conflito armado entre Rússia e Ucrânia no Brasil já haviam sido alertados por especialistas. Isto ocorre porque a Rússia é um dos maiores produtores de petróleo mundial. Atualmente, a produção do país ultrapassa os 10 milhões de barris por dia. Para o advogado especialista em Direito Internacional, Leonardo Leão, o preço do barril a U$ 100 faz com que o Brasil tenha, de imediato, mais aumento no preço dos combustíveis, disse ao Jornal Opção.

Antes mesmo da crise internacional, no entanto, a disparada dos combustíveis já era uma preocupação para os brasileiros. Só em 2021, a Petrobras reajustou 16 vezes o preço da gasolina. Deste total, apenas cinco foram reduções e pouco expressivas em relação à alta acumulada no mesmo período. Já no que tange ao diesel, foram nove aumentos e três reduções. O percentual acumulado do reajuste na gasolina é de 68,6% e do diesel, 64,7%.